Rock de garagem para 70 mil pessoas

Cage the Elephant abriu Lollapalooza com energia e inspirações em Nirvana e Pixies

JOTABÊ MEDEIROS , ROBERTO NASCIMENTO , O Estado de S.Paulo

08 Abril 2012 | 03h03

Mergulhos insanos no meio da multidão, realizados com temeridade (e sem equipe de resgate) por Matt Shultz, vocalista da banda norte-americana Cage the Elephant, iniciaram a farra da primeira edição do Lollapalooza Festival no Brasil, esta tarde, no Jockey Club de São Paulo.

"Vocês são uns doidos esquisitos. Eu nunca fui tão violentado", brincou Shultz com um sorriso maroto, após fazer o primeiro número de 'stage diving' na multidão. O público já esperava a função, tanto que uma menina segurava um cartaz onde se lia "Jump here, Matt!" (Pule aqui, Matt!). Até o líder dos Foo Fighters, Dave Grohl, principal atração do festival, estava lá nas coxias para conferir a performance reputadamente insana do vocalista e sua banda do Kentucky. Dave Grohl não se decepcionou: Cage the Elephant é insano, um verdadeiro ato de garagem do rock, sem afetação e com entrega no palco. O público cantou a plenos pulmões hits como Shake me Down e Sell Yourself.

Bastante influenciada por Nirvana (não é por acaso que têm uma canção chamada Aberdeen) e Pixies, e com um débito evidente para com a música country e o folk, o Cage the Elephant sofreu um pouco com um som muito baixo, indigno de sua grande performance garageira na tarde de abertura do festival. Na primeira música, In One Ear, o vocal estava praticamente inaudível, e a situação piorava lá atrás. Ao final, no meio de Sabretooth Tiger, Matt se jogou de novo no meio da multidão e ficou de ponta-cabeça, berrando ao microfone. Só saiu uns 5 minutos depois, com uma bandeira do Brasil. Grande pirralho do rock'n'roll.

Mais de 70 mil ingressos foram vendidos e a pista do Jockey, tradicionalmente ocupada por cavalos premiados e 'barbadas' de apostas, foi invadida por roqueiros muito jovens, e muitas crianças também. Às 14h, o baiano Marcelo Nova e sua banda, sob um sol escaldante, todos de preto, como reza o protocolo roqueiro, abriram a tarde. "Preparem-se para ouvir um som que está em extinção", anunciou Nova. Depois do Cage the Elephant, no chamado Palco Butantã (provavelmente por ficar a um km do palco principal) foi a vez da banda carioca O Rappa ocupar o palco principal. Já o TV On The Radio passou por seu belo cancioneiro em um set veloz e preciso. À frente da banda, o carismático Tunde Adebimpe é uma síntese das habilidades do grupo: um soul man moderno, versado em blues e efervescência punk, capaz de cantar com inflexões de gospel e no verso seguinte disparar sílabas com o abandono de um vocalista de hardcore. O resultado, em um palco para 70 mil pessoas, é uma espécie de encruzilhada entre soul e rock alternativo.

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