Johann Peschel/AP
Johann Peschel/AP

Robô resgata caixa-preta do Airbus

Gravador tem dados do avião da Air France que caiu com 228 pessoas a bordo; não é possível saber se informações foram preservadas

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2011 | 00h00

O trabalho de investigação sobre as causas do acidente do voo AF-447, em 31 de maio de 2009, deu ontem um passo decisivo. O Escritório de Investigações e Análise para a Aviação Civil (BEA), órgão do governo da França que apura as causas do desastre, anunciou ter recuperado a primeira das duas caixas-pretas do Airbus A-330 da Air France que fazia a rota Rio-Paris e caiu no mar, deixando 228 mortos.

Sem ter sido analisado, o equipamento resgatado apresenta "bom estado físico", o que eleva as chances de que as informações técnicas do voo tenham sido preservadas. A localização aconteceu por volta das 10h manhã de ontem - 5h de Brasília -, segundo o comunicado distribuído ontem à noite pelo BEA.

"A equipe de investigação localizou e identificou o módulo de memória do gravador de parâmetros - Flight Data Recorder (FDR) - nesta manhã. Ele foi trazido a bordo do navio Ile de Sein pelo robô Remora 6000." Na última sexta-feira, o BEA havia anunciado ter localizado o chassi do FDR, mas sem o principal módulo, que protege o gravador. "Se os dados puderem ser explorados, isso vai nos permitir avançar na investigação porque o FDR registra, durante o voo, a velocidade e as diferentes posições do manche", especificou diretor do BEA, Jean-Paul Troadec.

O objetivo é que os dados da FDR possam ser extraídos nas próximas duas semanas. "Ela (a caixa-preta) deve chegar às nossas instalações dentro de oito a 10 dias, tempo que um navio da Marinha leva para buscá-la." Além dos dados do FDR, as operações no Atlântico ainda buscam a segunda caixa-preta, que registra os diálogos entre os membros da tripulação - o cockpit voice recorder (CVR).

À noite, a Air France, saudou o avanço das investigações. Pierre-Henri Gourgeon, diretor-geral da companhia, demonstrou otimismo sobre as chances de esclarecer o acidente. "Essa nova etapa da investigação constitui um grande avanço porque ela (a caixa-preta) poderá fornecer informações suplementares sobre as causas do acidente, até aqui inexplicado", disse Gorgeon. "Nós esperamos que o BEA possa assim trazer respostas às perguntas que as famílias das vítimas, a nossa companhia e a comunidade aérea mundial se fazem há quase dois anos quanto aos fatos que levaram ao trágico acidente."

Em Paris, Jean-Baptiste Audousset, presidente da Associação Francesa de Famílias de Vítimas, comemorou a localização da caixa-preta, definindo a descoberta como "muito encorajadora", mas pediu cautela. "É preciso continuar prudente e esperar para ver em que condições o gravador pode ser explorado."

Neutro. No Rio, o presidente da Associação de Familiares de Vítimas do Voo 447, Nelson Faria Marinho, defendeu que a caixa-preta seja analisada por um "país neutro", como os Estados Unidos, para garantir a ampla divulgação das informações sobre o acidente. Pai de um dos passageiros, Nelson cobrou que, apesar da descoberta da caixa-preta, continuem as buscas por restos mortais. "A prioridade deles é somente a caixa-preta e os corpos são desprezados", disse. / COLABOROU LUCIANA NUNES LEAL

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