BEA/Efe
BEA/Efe

Robô localiza corpos da tragédia da Air France

França deve começar o recolhimento em até um mês; peritos ainda buscam caixas-pretas

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PARIS

Quase dois anos depois da queda do voo Air France 447 no Oceano Atlântico - acidente que matou 228 pessoas em 31 de maio de 2009 -, o Ministério dos Transportes da França confirmou que corpos foram encontrados nos destroços do Airbus A330-200, a 3,9 mil metros de profundidade. A descoberta foi feita por robôs-submarinos usados na quarta fase de buscas pelos destroços.

O Ministério dos Transportes afirmou, no entanto, que ainda não é possível saber a quantidade de corpos, já que a análise das imagens feitas pelos robôs é incipiente. O Escritório de Investigação e Análise (BEA) da França anunciou ontem que em três ou quatro semanas vai começar a quinta fase de trabalhos, que compreenderá o recolhimento dos destroços da aeronave, a busca pelas caixas-pretas e o recolhimento dos corpos.

Na tarde de ontem, o BEA convocou a imprensa para apresentar menos de dez das 13 mil imagens coletadas pelos robôs-submarinos. Os aparelhos são comandados por uma equipe de peritos do Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI), dos Estados Unidos. E as fotografias feitas desde a noite de sábado, quando os objetos foram localizados, não deixam dúvidas: mostram um trem de pouso, duas turbinas, uma asa, pedaços da fuselagem e destroços em geral.

"Temos muitas imagens, algumas tiradas à distância de 10 metros das peças, mas ainda estamos processando seu conteúdo", afirmou o diretor do BEA, Jean-Paul Troadec. "Vamos continuar fazendo novas imagens, as mais precisas possíveis, para auxiliar na investigação."

As partes do Airbus se espalham por uma área de 200 por 600 metros, em uma região plana situada a uma distância em torno de 60 a 80 quilômetros ao norte do último ponto conhecido de voo do AF-447. A situação precisa do local não foi revelada pelo BEA para evitar expedições científicas que possam atrapalhar os trabalhos de buscas.

Feita a identificação do aparelho, uma nova etapa de buscas (a quinta desde o acidente) foi lançada, com a publicação de uma licitação de urgência pelo governo francês para a seleção do navio que fará a coleta dos corpos e das peças. "A fase de retirada do avião poderá ser lançada em três semanas, um mês", estimou a ministra dos Transportes, Nathalie Kosciusko-Morizet.

A seguir, terá início a etapa de identificação das vítimas e de interpretação dos dados das duas caixas-pretas, ainda não localizadas. "É essencial dispor dos gravadores de bordo para determinar o cenário", reiterou Alain Bouillard, diretor de investigações do BEA.

Segundo o perito, as imagens feitas pelos robôs-submarinos não permitem avançar nas conclusões. "O que constatamos é que a maior parte dos destroços está concentrada, o que não é contraditório com o que já havíamos concluído."

 

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