RJ: 61 PMs são presos por achacar facção

Comandante do batalhão de Duque de Caxias, onde atuavam os policiais, foi afastado e mais 11 pessoas foram presas na maior operação feita no Estado

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2012 | 02h05

Megaoperação conjunta do Ministério Público e das Polícias Federal e Militar do Rio prendeu ontem 61 policiais militares acusados de extorsão, sequestro, tortura, homicídios e associação com o tráfico. Eles cobravam propina da principal facção criminosa do Estado do Rio, o Comando Vermelho, e movimentavam em média R$ 150 mil por mês.

A operação provocou o afastamento do tenente-coronel Claudio de Lucas Lima, comandante do 15.º Batalhão de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde os acusados atuavam.

O grupo foi flagrado negociando vendas de armas e drogas para os traficantes. As interceptações telefônicas, autorizadas pela Justiça, indicam que o grupo pretendia vender fuzis por R$ 45 mil e um lote de 50 pistolas provenientes de Mato Grosso do Sul. As gravações também mencionam o transporte de meia tonelada de maconha para o Rio e o depósito de propinas em valores que vão de R$ 1,4 mil a R$ 500 mil. Em alguns casos, as propinas eram entregues nos Destacamentos de Policiamento Ostensivo (DPO), que funcionam em favelas.

Outras 11 pessoas também foram presas - entre elas um juiz leigo aposentado (que atua apenas em juizados especiais) -, acusadas de intermediar venda de drogas e armas no Rio.

Quatro policiais e oito civis ainda estão foragidos. Os detidos foram levados para o Presídio de Bangu.

Nenhum oficial foi preso, apesar de serem citados por codinomes nas escutas. Segundo a promotoria, não há elementos para indiciamento.

"Pela quantidade de policiais envolvidos, não havia fiscalização para que não ocorresse esse fato. Se ele não procurou saber, errou", afirmou o comandante da PM, Erir Ribeiro, para justificar o afastamento do comandante Claudio de Lucas Lima do 15.º Batalhão.

Investigação. A operação, que reuniu mais de mil agentes de segurança, foi considerada a maior já feita no Estado. A investigação teve início em setembro de 2011, e envolveu a Polícia Federal, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público e a Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança do Rio. O alvo foi a Favela Vai Quem Quer, em Duque de Caxias, mas outras 12 comunidades também foram monitoradas no período.

Para o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, a operação é um "marco" na história da polícia fluminense. "Não há instituição pública que tenha legitimidade perante a sociedade sem que seja capaz de cortar na própria carne."

Os PMs também são acusados de sequestros, extorsão, tortura e abuso de poder. De acordo com os promotores, quando a propina atrasava, os policiais sequestravam parentes dos traficantes para pressionar. Também apreendiam veículos e bens para chantageá-los.

Um policial tem mais de 40 homicídios registrados como "autos de resistência" (quando os suspeitos são mortos em confronto com a polícia). Eles serão indiciados também por corrupção e enriquecimento ilícito.

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