Risco é maior em fins de semana e férias

Nos últimos 5 anos, uma em cada 4 mortes de crianças foi em dezembro e janeiro; 1/3 dos casos é registrado aos sábados e domingos

O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2012 | 03h06

O estudo sobre a influência da cadeirinha nas mortes no trânsito, feito pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), também faz um retrato dos momentos de maior risco para a criança nos veículos. Esse levantamento indica que, assim como outras formas de violência, as mortes no trânsito ocorrem mais nos dias de folga.

De acordo com a pesquisa, nos fins de semana e no período de férias escolares - dezembro e janeiro -, a incidência de acidentes fatais com criança é mais alta (veja quadro nesta página). Nos últimos cinco anos, os meses de dezembro e janeiro responderam por 23,9% dos óbitos entre vítimas de 0 a 10 anos. No período, foram 304. O mês de abril foi o que registrou menor índice: 94 mortes, o equivalente a 6% do total.

A pesquisa mostra ainda que a maior parte das mortes ocorre com crianças de até 2 anos: 32,1%. Em seguida, vem a faixa etária entre 6 e 7 anos: 27,1%, o equivalente a 424 mortes no período maior.

A coordenadora nacional da ONG Criança Segura, Alessandra Françoia, afirma que a fiscalização é fundamental para que a lei da cadeirinha dê certo. "É uma forma de educar a sociedade. Além disso, é importante termos campanhas educativas para orientar a população, porque observamos que as pessoas ainda não sabem qual é a idade e como instalar as cadeirinhas."

Para ela, a abordagem é uma forma de os agentes de trânsito orientarem motoristas. "Não é só fazer a repreensão da família, mas colocar que é a única forma segura, que a criança não tem tamanho suficiente para o cinto." Françoia destaca ainda que, por falta de conhecimento, muitas pessoas colocam a cadeirinha no carro sem instalá-la. "Isso pode ser um risco até maior."

Rotina. Por outro lado, o uso da cadeirinha já faz parte da rotina da maioria das família ouvidas pela reportagem na porta de uma escola de educação infantil na Lapa, zona oeste da capital. E os pais dizem que compraram a cadeirinha pensando mais na segurança dos filhos - e não nas multas e autuações.

Mesmo quando o carro está cheio, o equipamento não é dispensado. A designer de interiores Meire Luz, de 45 anos, por exemplo, acomoda os trigêmeos Murilo, Artur e Manuela, de 3 anos, seus sobrinhos, nas cadeirinhas do banco de trás do Honda Fit. "Desde quando eles tinham 1 ano, a gente usa a cadeirinha."

Há pais que compram mais de um acessório. A administradora de Recursos Humanos Vivian Tonero, de 37 anos, deixa uma cadeirinha em cada um dos dois carros da família.

Quando precisa deixar a filha Gabriela, de 5, na casa da sogra ou de alguma colega da escola, o equipamento vai junto. "Ela saiu da maternidade já na cadeirinha. Quando pego carona, sempre me preocupo com isso. Além de dar segurança para minha filha, não quero que a outra pessoa leve uma multa."

Costume. Gabriela já está no terceiro modelo de cadeirinha. Em breve, precisará usar apenas um assento e o cinto do banco de trás. Mas nem todas as crianças estão tão acostumadas. O pequeno Nicholas, de 4 anos, reclama de sentar no acessório e, de vez em quando, tira o cinto auxiliar. A solução encontrada pela mãe dele, a advogada Rafaela Timóteo, de 32 anos, foi levar um brinquedo para distraí-lo. "Fico conversando. Se percebo que tirou o cinto, falo: 'Olha que a polícia vai te pegar'." / LÍGIA FORMENTI, TIAGO DANTAS e CAIO DO VALLE

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