Risco de desabamento faz Defesa Civil esvaziar prédio de 14 andares no Itaim

Edifício teve três colunas danificadas por uma obra do Hospital São Luiz, que fica ao lado; interdição é por tempo indeterminado

Artur Rodrigues, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2012 | 21h56

Um prédio de 14 andares no Itaim-Bibi, na zona sul de São Paulo, foi interditado nesta quinta-feira, 13, sob risco de desabamento. O Edifício Ivany, no número 6 da Rua Desembargador Aguiar Valim, esquina com a Avenida Santo Amaro, teve três colunas danificadas por uma obra do Hospital São Luiz, vizinho e dono de parte do prédio. Moradores tiveram de deixar o prédio e ficarão fora de casa por tempo indeterminado.

No edifício moram cerca de 100 pessoas, em 29 apartamentos, cada um de 110 m², em média. No térreo funciona uma galeria de lojas e, logo acima, há uma área usada como vestiário dos funcionários do Hospital São Luiz. Ambos pertencem ao hospital (continua).

No começo de agosto, o hospital iniciou obras no subsolo da galeria, onde há um estacionamento usado pelos condôminos. No dia 11 daquele mês, moradores sentiram o primeiro tremor e o prédio chegou a ser evacuado por algumas horas.

A Defesa Civil foi acionada, mas nenhum risco iminente foi constatado. A garagem subterrânea, porém, foi interditada, e os carros dos condôminos tiveram de ser levados para um estacionamento particular ao lado do prédio. A conta foi paga pelo São Luiz.

Nesta quinta-feira, 13, porém, às 8h30, um forte abalo chegou a derrubar um morador da cama, segundo relatos. Às 9h10, os bombeiros, a Defesa Civil e a Subprefeitura de Pinheiros foram acionados. Os moradores tiveram poucos minutos para pegar seus pertences e sair do local.

Colunas. O coordenador-geral da Defesa Civil, coronel Jair Paca de Lima, informou que três colunas de sustentação do prédio foram danificadas durante as obras no subsolo. "O edifício tem mais de 50 anos e teve a estrutura abalada. Se não houvesse risco, não teríamos desocupado", disse.

Segundo o coronel, após análise da Defesa Civil e do engenheiro da Secretaria das Subprefeituras, foi feito o auto de interdição do edifício. Não há prazo para que o lugar seja reaberto e, até agora, também não foram identificados riscos para os prédios vizinhos - o Hospital São Luiz entre eles.

A Defesa Civil afirma que ficará 24 horas por dia no local inspecionando as obras de reparo. "O hospital entrou com pedido de reforma emergencial. Após os reparos e novas vistorias, o prédio pode voltar a funcionar", diz.

De acordo com moradores, o hospital estava reformando um espaço que era um antigo cinema. "Construíram um mezanino e só depois foram reforçar as colunas. Deveriam ter feito isso antes", disse o dono de uma lanchonete na galeria, que não quis se identificar.

Os condôminos contaram que passaram o dia na rua e não tiveram qualquer assistência do hospital. A Assessoria de Imprensa do São Luiz afirmou que "como o condomínio necessitava de melhorias em sua estrutura, o hospital se propôs a contratar a empresa que realizaria a obra, conforme aprovação em assembleia". A obra tinha autorização da Prefeitura de São Paulo.

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-SP) disse que vai apurar se os profissionais responsáveis pela obra estão habilitados e se houve algum tipo de erro. Se algum erro for constatado, eles serão responsabilizados administrativamente. / COLABORARAM NATALY COSTA E RODRIGO BURGARELLI

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