Rios vivos e limpos, um sonho paulistano

Internautas pedem deques, restaurantes e cafés ao longo do Tietê e do Pinheiros

O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2013 | 02h10

São Paulo tem 1.500 quilômetros de rios, córregos e nascentes em seu território. O número impressiona: é quase quatro vezes a extensão da Rodovia Presidente Dutra, que liga a capital paulista ao Rio, só de cursos d'água dentro do Município. Grande parte deles, porém, está muito maltratada - são rios poluídos, enterrados, fedidos, feios e esquecidos no dia a dia de quem vive na cidade. O paulistano quer mudar radicalmente esse quadro.

Várias ideias recebidas pelo projeto Que SP Vc Quer? dizem respeito à despoluição dos rios que cortam a cidade. O principal é o Tietê, que nasce na Região Metropolitana, em Salesópolis, e recebe esgoto doméstico e industrial em larga escala ao longo de seu curso. Sua calha de cimento ao lado das pistas para carros e caminhões na Marginal não ajuda em nada a embelezar sua passagem pela cidade.

Muitas das propostas mais bem avaliadas pelos internautas preveem um Tietê despoluído e navegável, com deques, bares, restaurantes e cafés, a exemplo do que ocorre em cidades europeias. A sugestão mais bem votada - do publicitário Werner Paulo Iucksch - ainda prevê áreas de convivência e lazer ao longo de outros cursos d'água da cidade, como os Rios Pinheiros e Tamanduateí.

"Além da melhoria ambiental e visual óbvias para a cidade, a despoluição dos rios poderia tirar um pouco mais de gente de dentro dos shoppings, colocá-las em contato com a cidade e, mais importante, levar os cidadãos a acreditar que outros problemas também podem ser solucionados se enfrentados com seriedade", afirmou.

A possibilidade dessa proposta sair do papel é real. Desde 1992, quando a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) iniciou o Projeto Tietê, os índices de coleta e tratamento de esgoto na Grande São Paulo passaram de 70% e 24%, respectivamente, para 86% e 49%. O objetivo é universalizar esses serviços até 2020 - no ano passado, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que, até 2015, os rios não terão mais odor e será possível imaginar ter barcos turísticos - como os "bateaux-mouches" de Paris - navegando por suas águas.

Promessas. Em relação a um projeto paisagístico e urbanístico mais amplo, as dúvidas são maiores. Em 2006, a calha do Tietê recebeu mais árvores e verde ao longo da Marginal.

Alckmin anunciou um plano para que, em um prazo de 15 anos, os entornos do Tietê e do Pinheiros sejam requalificados e ofereçam mais espaços de convivência, a um custo estimado de R$ 30 bilhões.

O prefeito Fernando Haddad (PT) também afirmou que quer recuperar a região do Tietê, que é um dos principais eixos de seu prometido Arco do Futuro. As duas propostas, porém, ainda não foram totalmente detalhadas pelos governantes.

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