Rios baixam e moradores de Itajaí começam a voltar para casa

Prefeitura também inicia o fechamento de abrigos e espera que hoje apenas cinco, para 800 pessoas,[br]sejam ainda necessários

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2011 | 00h00

ITAJAÍ

As águas dos Rios Itajaí-Açu e Itajaí-Mirim baixaram e ontem foi dia de tentar retomar a normalidade na cidade de Itajaí. A Defesa Civil começou a desmobilizar sua central e a transferi-la para o Centro de Eventos da Marejada, que também serve de centro de coleta e distribuição de donativos. Os moradores voltavam lentamente às suas casas, para dar início à limpeza.

 

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Daniela Samille, de 17 anos, puxava a água rumo ao bueiro de uma rua do bairro Promorar, um dos mais afetados pelas cheias. Na sexta-feira, ela, a mãe, Alcidina, e seu irmão, William, deixaram Itajaí e foram para a casa da tia em Balneário Camboriú. O pai, Isair, ficou no segundo piso da casa, para evitar saques. "Nem se compara com 2008, quando a água tomou conta de tudo. Conseguimos salvar muita coisa e a limpeza começou mais rápido", disse Daniela.

Quem não pôde ir para a casa de parentes e ficou em um dos 18 abrigos da cidade também estava ansioso para retornar ao lar. Na escola Nereu Ramos, no bairro Fazenda, 156 pessoas chegaram a se abrigar, mas, na tarde de ontem, 26 já tinham ido embora. Entre as que esperavam a autorização da Defesa Civil para voltara para casa estavam a dona de casa Raquel Bernardino e seus sete filhos.

Depois de vasculhar na mesa de roupas doadas, ela recebeu a notícia de que um ônibus da prefeitura passaria por ali, levando quem quisesse para casa ou realocando as famílias em abrigos mais próximos do centro. "Minha rua ainda está sem água, então, vou ter de esperar mais um dia", lamentava. "Mas não tenho do que reclamar. Fui muito bem tratada aqui. A comida é da melhor qualidade e, desta vez, consegui salvar meus pertences."

O secretário de Desenvolvimento Social, Fabrício Marinho, responsável pelos abrigos, espera que até o fim do dia de hoje sejam necessários apenas cinco abrigos, para acomodar cerca de 800 pessoas. "Tivemos um pico de 3.200 moradores nos abrigos. Na tarde de ontem, 30% já tinham ido voluntariamente embora e nós trabalhamos o dia todo para levar mais gente para suas casas", afirmou.

Os caminhões do Exército distribuíram donativos nos bairros mais afetados pela inundação ao longo de todo o dia e, por volta das 15h de ontem, a energia elétrica já havia sido restabelecida em 98% dos domicílios. A previsão era de que o abastecimento de água se normalizasse completamente até amanhã. As aulas das redes municipal e estadual seguem suspensas para que a limpeza e o reparo das escolas sejam concluídos.

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