Rio terá 'UPP do crack' para atender e tratar dependentes

Projeto, que conta com verba do governo federal, pretende conter expansão de áreas de consumo de drogas

PEDRO DANTAS, RIO, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2012 | 03h05

A Prefeitura do Rio deve montar uma base inspirada no modelo da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em uma das cracolândias da cidade para dar assistência social, socorro médico e encaminhar para tratamento os usuários da droga. O projeto, que está sendo chamado de "UPP do Crack", pretende conter a expansão das áreas do consumo do entorpecente com postos de atendimento aos dependentes químicos.

"É similar à UPP porque a ação será permanente e em conjunto com as Secretarias de Segurança Pública e de Saúde. O usuário receberá o primeiro atendimento médico no local e poderá ser encaminhado para o tratamento", explicou o secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem. No Rio, crianças e adolescentes podem ser internados compulsoriamente.

Segundo o secretário, ao contrário de São Paulo, onde as cracolândias ocupam as ruas da cidade, no Rio os usuários ainda estão confinados em favelas ainda não ocupadas pela polícia. Para garantir a segurança da equipe, a Secretaria de Segurança Pública do Rio é que definirá em qual comunidade será instalada a primeira "UPP do Crack". As favelas que podem receber o projeto são Jacarezinho, Manguinhos, Complexo da Maré ou Cajueiro, na zona norte, Morro do Santo Amaro, no Catete, zona sul, e Antares, na zona oeste.

A implantação do projeto terá verba do Plano de Enfrentamento ao Uso do Crack, do Ministério da Saúde. O Rio será o primeiro a receber o programa. A cidade deve ganhar ainda quatro novos abrigos, com recursos da Secretaria Nacional de Segurança Pública, para crianças e adolescentes dependentes da droga.

Realizado pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), o recolhimento de usuários de crack é diário no Rio. Ontem, nos arredores do Morro do Cajueiro, em Madureira, na zona norte da cidade, foram localizados 49 dependentes adultos, alguns deles portando facas e canivetes. As ações contam com o apoio da Polícia Militar, mas as abordagens são feitas pelos assistentes sociais. Desde o início das operações de combate ao entorpecente na cidade, em março de 2011, a SMAS já realizou 3.332 recolhimento - 2.849 de adultos e 483 de crianças e adolescentes.

Após o recolhimento, os usuários são identificados pela polícia e vão para a Unidade Municipal de Reinserção Social, em Paciência, na zona oeste.

Os adolescentes podem ser internados, mesmo contra a vontade. A maioria dos adultos toma banho, se alimenta e volta para a cracolândia. A Prefeitura conta com 178 vagas em clínicas de tratamento de drogas para crianças e adolescentes e 60 leitos para adultos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.