Rio tenta recuperar fonte de ferro de 1870

Prefeitura tenta provar que peça identificada por um leiloeiro há 11 anos é a mesma que sumiu da Cinelândia

FELIPE WERNECK / RIO, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2012 | 03h02

A prefeitura do Rio está há 11 anos tentando reaver uma fonte de ferro fundido criada no fim do século 19 pelo escultor francês Charles-Auguste Lebourg e importada durante a gestão do prefeito Francisco Pereira Passos (1902-1906), responsável pela reforma que transformou a então capital federal. A peça sumiu da Cinelândia, seu local original, e foi identificada em 2001 por um leiloeiro, que entrou em contato com a prefeitura.

"Em tese, ela foi roubada", diz a gerente de Monumentos e Chafarizes da secretaria, Vera Dias. Ela reconhece que será difícil retomar a obra apenas com informações históricas - não há número ou outro tipo de identificação, apenas o tipo de metal. Na época, foi aberto um processo administrativo. Onze anos depois, a prefeitura continua "buscando e reunindo documentação histórica para comprovar a propriedade da peça e retomá-la".

Atualmente, o processo está na Secretaria Municipal de Fazenda. A reportagem pediu o nome da pessoa que afirma ser dona da fonte, mas a pasta alegou que o caso está sob sigilo.

Segundo Vera, outras três fontes idênticas importadas na mesma época serão restauradas - elas continuam em locais públicos. Nas esculturas, cariátides (suportes) representam quatro virtudes: bondade, simplicidade, caridade e sobriedade. Na cúpula, há detalhes em forma de escamas de dragão.

As peças são conhecidas como "Fontes Wallace" porque seu idealizador foi o filantropo inglês Richard Wallace - todas foram fundidas na década de 1870 pela Fundição Val d'Osne, na França. Jornais do início do século 20 indicam que foram importadas cem fontes do mesmo tipo, mas Vera afirma que só há registro oficial das quatro.

As fontes remanescentes estão instaladas na Praça D. Romualdo, em Santa Cruz, na zona oeste do Rio, no Parque da Cidade, na Gávea, zona sul, e no Jardim dos Manacás, no Parque Nacional da Tijuca, zona norte.

Segundo Vera, elas serão restauradas até o fim do ano e a do Parque da Cidade deverá ser transferida para a Avenida Presidente Vargas, no centro.

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