Rio: tendência é remover barreiras criadas nos anos 1990

No Rio, a partir da década de 1990, a prefeitura cercou muitas praças para tentar impedir a presença de moradores de rua e aumentar a sensação de segurança. A iniciativa aumentou o número de frequentadores em praças da zona sul, como a Nossa Senhora da Paz, em Ipanema.

FÁBIO GRELLET / RIO , O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2012 | 08h41

Duas delas já foram reabertas e a administração municipal já afirma que essa é a tendência. No entanto, não há um plano para reabrir todas - de acordo com a Fundação Parques e Jardins (FPJ), órgão responsável pelas praças da cidade.

"Muitas foram cercadas por causa da sensação de insegurança e passaram a ser usadas apenas durante o dia. Recentemente, foram reabertas a Tiradentes, no centro, e a Saens Peña, na Tijuca (zona norte)", diz David Lessa, presidente da FPJ. "A primeira foi reaberta por iniciativa da prefeitura, que fez uma ampla reforma. E a segunda, a pedido da associação comercial da praça, que adotou a área."

Mudança de perfil. As duas reaberturas também teriam a ver com outros aspectos, acredita Lessa. "Não havia mais tantos mendigos concentrados na (Praça) Tiradentes, talvez por causa do crescimento econômico. E as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) instaladas na Tijuca aumentaram a sensação de segurança na Saens Peña", disse.

"Eu defendo que todas as praças sejam abertas, porque são espaços públicos cujo uso não deve ficar restrito por horários. Acredito que a melhoria da sensação de segurança trazida pelas UPPs vai levar a população a pedir a reabertura de outras praças", prevê o presidente do órgão municipal.

Lessa explica que no ano passado uma área verde foi cercada para que seus jardins fossem preservados - mas a medida não surtiu efeito e as grades acabaram retiradas.

"A praça onde fica o Teatro Armando Gonzaga, em Marechal Hermes (zona norte), tem jardins desenhados pelo (paisagista) Roberto Burle Marx. A Fundação tentou recuperá-los duas vezes, mas o local é ponto de distribuição de comida para moradores de rua, que usam os jardins para fazer fogueiras", diz Lessa. "Eles foram destruídos de novo e decidimos cercar a praça e os jardins. Mas os moradores de rua continuaram ali e as grades acabaram retiradas", completa.

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