Wilton Junior/AE
Wilton Junior/AE

Rio se veste de BOPE e de UPP para o carnaval

Depois das ocupações policiais, cresce a procura por uniformes militares e a região da Saara oferece até opções importadas dos Estados Unidos

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2011 | 00h00

Embaladas pela pacificação de favelas e pelo filme Tropa de Elite 2, as fantasias de policiais tornaram-se as mais procuradas deste carnaval nas lojas do mercado popular da Saara, no centro do Rio. Com preços entre R$ 49,90 e R$ 127,90, as roupas têm sido compradas tanto para adultos quanto para crianças.

"Acho que a pacificação e o filme mudaram a maneira de a gente ver o policial", disse a dona de casa Adriana Oliveira, de 38 anos, que já comprou fantasia de tropa de elite para o filho mais velho.

Nas Casas Turuna, referência em venda de fantasias na Saara, já se esgotaram os modelos masculinos alusivos ao filme. Mas a loja comprou outras fantasias inspiradas na segurança pública - militar, policial civil e até agente do DEA (órgão de repressão às drogas do governo americano). "Pelo menos as mulheres dizem que vão aproveitar a fantasia para prender seus homens", brincou o vendedor Rodrigo Erculano Soares, de 30 anos, há 14 na Turuna.

O bombeiro militar Aníbal Ribeiro, de 38 anos, procurava ontem uma fantasia de oficial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) para o sobrinho de 3 anos. "Eu preferia que ele saísse de bombeiro, mas o pai é policial. Fazer o quê?"

A tradicional loja Silhoueta Infantil, com oito unidades na cidade, vende com exclusividade o modelo UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). A roupa imita um colete à prova de balas, com cartucheira e boina, e traz a inscrição "força pacificadora". "As fantasias masculinas esgotaram. A disputa é tanta que duas mães brigaram na loja pelo tamanho G", contou Adriana Lima, gerente da loja da Tijuca.

Vitória, de 5 anos, chegou a experimentar uma das poucas fantasias femininas ainda no estoque. Mas, na última hora, escolheu a baianinha. "É mais fresca e mais em conta. Mas não me importaria se ela saísse de policial. A gente que mora em comunidade pacificada sabe o quanto nossa vida melhorou", afirmou a despachante Elizabeth Oliveira, de 41 anos, moradora do Borel.

Ronaldinho. Mesmo sem acordo para uso de sua imagem, o rosto de Ronaldinho Gaúcho já está na Saara. "Peguei 25 máscaras com um colega lojista no sábado e vendi tudo em três dias. Só sobraram três", comemorou o vendedor Roberto Sales.

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