Rio revê causa de mortes e 91% 'viram' homicídio

Assassinatos antes eram 'causa indeterminada'; Estado foi rebaixado em Anuário de Segurança

PEDRO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2011 | 03h03

O Instituto de Segurança Pública (ISP), do governo do Rio, reviu os casos de mortes antes classificadas como óbitos por "causas indeterminadas" em 2009 e chegou à conclusão de que 91,6% deles eram homicídios. O instituto, que divulgou a revisão na terça-feira, aponta que o índice de queda de assassinatos no Estado deve ser bem menor do que o divulgado anteriormente.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a queda na taxa de homicídios, entre 2006 e 2009, deve ser de 3,6% e não 28,6% conforme divulgado pelo governo do Rio.

No mesmo dia em que o ISP anunciava a revisão de seus dados, o Rio foi rebaixado em relação ao grau de confiabilidade das estatísticas criminais, de acordo com o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em 2009, quando foram registradas 3.044 mortes violentas por causas indeterminadas, 2.470 casos não foram elucidados. Entre as 574 mortes já apuradas, 425 eram homicídios culposos, 53 autos de resistência, 42 homicídios culposos e 6 latrocínios (roubo seguido de morte).

Homicídios ocultos. Os números confirmam o estudo do economista do Ipea Daniel Cerqueira. Em pesquisa divulgada em outubro, ele calculou que a queda na taxa de homicídios no Rio está bem abaixo da divulgada entre 2006 e 2009.

O economista incluiu no cálculo os chamados "homicídios ocultos". Segundo ele, a maioria dos casos classificados pelo governo do Rio como "mortes violentas por causa indeterminada" tem vítimas com o mesmo perfil: jovens pobres, negros ou pardos, mortos a tiros e na rua. O estudo levantou suspeita sobre erro na manipulação dos dados da Segurança.

Ontem, o governador do Rio, Sérgio Cabral, defendeu as informações prestadas pelo Estado e disse que o rebaixamento "não tem cabimento". "Não há Secretaria de Segurança no Brasil que dê com a exatidão, com a velocidade, e com veracidade, as informações que a Secretaria de Segurança do Rio dá. Duvido que haja qualquer Secretaria de Segurança no País que tenha um método melhor", disse.

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