Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Rio quer tirar 13 mil famílias de favelas

''Se o financiamento for adequado, quanto mais tempo a gente ficar endividado, melhor'', afirma o prefeito carioca, Eduardo Paes

Bruno Lousada e Felipe Werneck, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2010 | 00h00

Investimentos públicos e privados de R$ 23,2 bilhões, metrô da zona sul até a Barra, quatro corredores expressos de ônibus, museus projetados por arquitetos estrangeiros na orla de Copacabana e no Porto, pelo menos 20 mil vagas a mais em novos hotéis e urbanização de favelas com remoção de 13 mil famílias para "bairros-modelo". Essas são algumas das promessas para 2016, ano de Olimpíada no Rio.

 

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"Não dá para falar em atraso hoje, pelo contrário. Estamos dando prioridade a tudo aquilo que vai demorar mais de três anos", afirma o prefeito Eduardo Paes (PMDB).

Ele promete baixar um decreto "definindo regras claras daquilo que a prefeitura vai permitir ou não, mesmo que a obra não seja de atribuição do município" para a Olimpíada. "Existe um conjunto de compromissos com o Comitê Olímpico Internacional (COI) e ninguém poderá vir com invencionice. Vamos incentivar as áreas da cidade que precisam ser incentivadas."

A prefeitura fechou parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) para a realização de concursos de projetos para oito instalações permanentes e temporárias dos Jogos que ficarão no Porto. As quatro provisórias seriam convertidas em prédios residenciais após a Olimpíada. O IAB também vai selecionar e escolher projetos do Programa Morar Carioca, que prevê urbanização de todas as favelas da cidade em dez anos. O prefeito afirma que as 13 mil famílias que vivem em favelas "não urbanizáveis" serão removidas até 2016 para "bairros-modelo", que serão construídos com financiamento do Minha Casa Minha Vida.

Paes também propôs mudança na legislação para estimular a construção de hotéis na cidade. Hoje a rede hoteleira do Rio tem 29 mil quartos - o plano é abrir mais 20 mil.

O prefeito reconhece que a especulação já valorizou em 300% alguns imóveis no Porto, mas afirma que isso era esperado, por se tratar de área muito degradada, que "não valia nada". "Quando for exagerado e atrapalhar o processo, vamos desapropriar." Há vários projetos para a zona portuária, entre eles o Museu do Amanhã, do arquiteto espanhol Santiago Calatrava. Naquela região, a prefeitura já autorizou a construção de prédios de até 150 metros de altura por meio de uma operação urbana consorciada.

O prefeito diz que pretende esticar ao máximo o prazo de endividamento da cidade. "Se o financiamento for adequado, quanto mais tempo a gente ficar endividado, melhor. Se a dívida do Rio durar 50 anos, é melhor que 20. Se durar 100, é melhor que 50."

No caso do sistema ferroviário, o governo do Estado promete comprar 120 novos trens e reformar todas as estações, além do compromisso de levar o metrô até a Barra. Na área da segurança, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) promete levar as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) a todas as favelas dominadas por traficantes.

O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos (Cojo) informou que, do orçamento previsto de R$ 28,8 bilhões, R$ 5,6 bilhões se referem a custos de planejamento e operação do Cojo e R$ 23,2 bilhões serão para a construção de novas instalações esportivas e obras de infraestrutura, como reforma de aeroportos e outras atribuições dos três níveis de governo. Desses R$ 23,2 bilhões - públicos e privados -, 34% se destinam a obras em andamento, 35% às já planejadas e 31% a obras adicionais. Está previsto ainda o uso de instalações esportivas já existentes (54%), incluindo as construídas para os Jogos Pan-Americanos de 2007.

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