Rio quer internar adultos viciados à força

Para prefeito da cidade, está claro que usuários de crack 'não conseguem tomar decisões'; plano sairá em duas semanas

FELIPE WERNECK / RIO, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2012 | 03h04

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), afirmou ontem que vai adotar a internação compulsória até para adultos dependentes químicos. Segundo ele, a medida será iniciada "em breve".

Autorizada por decisão judicial no Rio, a internação compulsória de jovens usuários de crack já é questionada pelo Conselho Regional de Psicologia (CRP-RJ), que aponta "regresso à lógica manicomial" em abrigos mantidos pela prefeitura na zona oeste da cidade.

Paes não explicou como tornará possível a decisão. Segundo ele, as Secretarias de Saúde e Assistência Social vão apresentar em até duas semanas um plano para criação de 600 vagas para internação e tratamento de dependentes químicos.

"Vamos criar uma estrutura própria, se possível ainda neste ano, de forma emergencial. A partir da construção dessa estrutura, vamos iniciar a internação compulsória de adultos também. Está muito claro que os dependentes dessa droga não conseguem tomar decisões", disse o prefeito.

Atualmente, há 178 vagas para internação compulsória de crianças e adolescentes no Rio. A decisão do prefeito foi anunciada depois de reunião com representantes de associações de moradores dos Complexos de Jacarezinho e Manguinhos, favelas ocupadas por forças de segurança desde o dia 14.

Uma semana depois da operação, 240 usuários tinham sido levados para abrigos da prefeitura - 224 eram adultos. A ocupação policial provocou uma migração de dependentes químicos para outras áreas do entorno, incluindo canteiros de obras em viadutos da Avenida Brasil.

Debate. Paes disse que o município vai investir R$ 220 milhões em projetos para a região. "Não vou ficar no debate ideológico. Nossa obrigação é salvar vidas", afirmou o prefeito.

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