Hamilton Pavam/Diário da Região-13/1/2011
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Rio Preto exportaria sem-teto para vizinha

Ministério Público em Mirassol abriu inquérito sobre deslocamento de moradores de rua; prefeitura de São José nega que tenha feito transporte

Chico Siqueira, O Estado de S.Paulo

31 Março 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

MIRASSOL

Inquérito aberto pelo Ministério Público em Mirassol, no interior paulista, investiga se o município recebe moradores de rua "exportados" da vizinha São José do Rio Preto. A investigação apurou que essas pessoas vão de uma cidade a outra nos fins de semana para dormir - já que o albergue noturno de Rio Preto não abre aos sábados - e acabam ficando por ali. O caso também está sendo apurado pelo Ministério Público de Rio Preto.

"Essas pessoas vêm para dormir no albergue de Mirassol, mas como o albergue permite somente três dias de estada, e elas acabam ficando mais tempo, se espalham pela cidade fazendo moradias improvisadas em casas abandonadas e praças", disse o promotor José Heitor dos Santos, autor do inquérito.

Santos disse que o objetivo da apuração era saber se havia criminosos entre os sem-teto e para resgatar a cidadania deles, mas os assistentes sociais acabaram descobrindo que parte dos sem-teto vinha de cidades vizinhas, como São José do Rio Preto.

As investigações também apuram a informação de que carros foram vistos nos fins de semana deixando os moradores de rua em Mirassol. A ação do Ministério Público teria conseguido limpar praças onde os sem-teto viviam e localizado famílias de moradores de rua. Um deles morava no cemitério da cidade e foi mandado para tratamento numa clínica psiquiatra, em Catanduva. "Este encontrou a família e está feliz", disse Santos.

Prefeitura nega. Em São José do Rio Preto, a secretária de Assistência Social, Ivani Vaz de Lima, negou que a prefeitura tenha despejado sem-teto em Mirassol. Segundo ela, um convênio com a prefeitura vai possibilitar ao albergue funcionar de domingo a domingo. "Este albergue, que é particular, funciona de domingo a sexta-feira, mas a partir do próximo mês, funcionará a semana toda", disse Ivani.

Segundo a secretária, a intenção da prefeitura é evitar que pessoas durmam ou morem na rua. "Se o albergue não estiver funcionando e a pessoa não tiver onde ir, nós damos um jeito, pagamos uma pensão ou arrumamos uma casa para ela dormir", afirma.

Mesmo assim, segundo informações da Secretaria de Assistência Social, o município distribui entre 200 e 300 passagens para moradores de rua deixarem a cidade. "Se eles quiserem ficar terão de morar em abrigos e pensão e passar pelo nosso programa de reinserção social."

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