Rio prende 17 PMs grevistas, detém 123 bombeiros nos quartéis e indicia 270

No primeiro dia da greve de bombeiros e policiais civis e militares no Rio, 17 PMs foram presos e encaminhados à penitenciária de segurança máxima de Bangu 1, na zona oeste. Além disso, o Corpo de Bombeiros prendeu administrativamente - nos quartéis da corporação - 123 guarda-vidas por faltar ao serviço e iniciou processo disciplinar. Ao todo, 270 bombeiros e policiais militares (incluindo os 17 presos) foram indiciados em processos administrativos pela paralisação no Estado.

PEDRO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2012 | 03h04

Desses, 129 policiais foram indiciados por crime militar somente em Volta Redonda, no sul fluminense. O Estado divulgou que 147 PMs já foram indiciados por crimes militares. Dos 11 líderes grevistas da corporação que tiveram a prisão decretada pela Auditoria Militar, apenas 1 ainda não se apresentou.

Para conter a mobilização, o governo do Rio também decidiu acelerar a punição aos grevistas, publicando em edição extraordinária do Diário Oficial um decreto que altera os processos de expulsão sumária de PMs e bombeiros de 30 para 15 dias. Um processo disciplinar foi aberto só para julgar 14 PMs, que poderão ser expulsos sumariamente. "Foi uma tentativa de greve que não teve êxito", ressaltou o governador Sérgio Cabral (PMDB).

Um inquérito no Conselho de Disciplina do Corpo de Bombeiros pode ainda render a expulsão de 18 lideranças, incluindo o cabo Benevenuto Daciolo, que também está preso em Bangu 1, 2 oficiais e 15 guarda-vidas. Alguns líderes do movimento na PM também consideram inevitável a expulsão. "Isso é muito triste. Sou formado em Direito e permaneci na corporação, pois acreditei que poderíamos melhorar a PM", afirmou o cabo João Carlos Gurgel, que é lotado no QG, minutos antes de ser detido.

A Justiça determinou sigilo nos inquéritos sobre os líderes do movimento na PM. Entre aqueles que tiveram a prisão decretada estão oficiais da reserva cuja militância ocorria na internet, em blogs e redes sociais, como os coronéis da reserva Paulo Ricardo Paúl e Adalberto Rabello, além do major Hélio Oliveira. Sete cabos e um sargento tiveram as prisões decretadas. A única mulher detida foi a cabo Vivian Sanchez Gonçalves.

Problemas. O Sindicato dos Policiais Civis informou em nota que a adesão à greve foi de 70%. Já a chefia de Polícia Civil disse que o atendimento foi "pouco afetado" pelo movimento.

Segundo a Assessoria de Comunicação da PM, houve apenas problemas de segurança isolados na capital. A falta de policiamento causou maior tensão em Campos, no norte do Estado e o Batalhão de Operações Especiais (Bope) teve de reforçar o patrulhamento local. / COLABOROU CLARISSA THOMÉ

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