Rio prende 16 policiais grevistas, detém 123 administrativamente e indicia 270

No primeiro dia da greve de policiais e bombeiros no Rio, o governo do Estado indiciou 270 militares das duas corporações, prendeu 16 PMs e baixou um decreto para acelerar a punição de líderes do movimento. Publicado em edição extraordinária do Diário Oficial, o Decreto n.º 43.462 diminui o prazo de julgamento das infrações na PM e no Corpo de Bombeiros para 15 dias.

PEDRO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2012 | 03h05

O Corpo de Bombeiros também anunciou a prisão administrativa por falta de serviço de 123 guarda-vidas, que cuidam da praias, e abriu processo disciplinar. Um inquérito no Conselho de Disciplina da corporação pode resultar na expulsão de 18 lideranças, entre elas o cabo Benevenuto Daciolo, que está preso em Bangu 1, dois oficiais e 15 guarda-vidas.

Ontem, sete policiais foram presos em diversos batalhões por desobediência, 147 PMs foram indiciados por crimes militares e 16 presos. Dos 11 líderes grevistas da corporação que tiveram as prisões decretadas pela Justiça da Auditoria Militar, nove foram detidos ontem, entre eles estão três oficiais da reserva. Um processo disciplinar foi aberto para julgar 14 PMs que poderão ser expulsos.

Alguns líderes do movimento na PM consideram como certa a expulsão. "Isso é muito triste. Sou formado em Direito e permaneci na corporação, pois acreditei que poderíamos melhorar a PM", afirmou o cabo João Carlos Gurgel, que é lotado no QG, minutos antes de ser preso.

A Justiça determinou sigilo no inquérito sobre os líderes do movimento. Entre as prisões decretadas, há oficiais da reserva cuja militância ocorria na internet em blogs e redes sociais, como os coronéis da reserva Paulo Ricardo Paúl e Adalberto Rabello, além do major Hélio Oliveira. Sete cabos e um sargento tiveram as prisões decretadas. Única mulher da lista, a cabo Vivian Sanchez Gonçalves também foi presa ontem.

Em Volta Redonda, no sul fluminense, 129 policiais foram indiciados por crime militar. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi para Campos, no norte do Rio, reforçar o patrulhamento. Um carro da PM foi alvejado na Avenida Brasil, em Campo Grande, e duas agências bancárias atacadas em São Gonçalo. A polícia diz que o setor de inteligência não encontrou conexão entre os episódios e a greve.

Problemas. No Batalhão do Leblon, policiais usavam camisetas com a inscrição "greve" e a Guarda Municipal ocupava a cabine da PM que fica na Lagoa. A Assessoria de Comunicação da PM informou que houve apenas "problemas isolados". E, apesar de o Sindicato dos Policiais Civis ter informado em nota que a adesão a greve foi de 70%, a chefia de Polícia Civil divulgou que as delegacias funcionaram normalmente. / COLABOROU CLARISSA THOMÉ

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