Rio: policiais protestam contra as prisões

Cerca de 400 grevistas, parentes e simpatizantes se reuniram em Copacabana

CLARISSA THOMÉ / RIO, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2012 | 03h02

Mesmo divididos com a saída de um dos sindicatos de policiais civis do movimento, bombeiros, policiais militares e civis em greve fizeram manifestação ontem na Praia de Copacabana para protestar contra prisão de dirigentes no presídio de segurança máxima Bangu 1. No total, 25 policiais e bombeiros estão presos - 17 em Bangu 1 (9 PMs e 8 bombeiros) e os outros 8 no Batalhão Especial Prisional (BEP), entre eles uma mulher.

Cerca de 400 pessoas se reuniram na frente do Copacabana Palace, entre grevistas e parentes. Ao contrário da greve anterior dos bombeiros, no ano passado, desta vez não houve adesão popular, com pessoas usando fitinhas vermelhas. O número de manifestantes também ficou aquém do esperado.

"Houve operação de desmonte na mobilização dos policiais e bombeiros, com prisão das lideranças e aquele grampo fraudado, que distorceu as negociações dos grevistas com parlamentares", afirmou a deputada Janira Rocha (PSOL), que aparece em escutas telefônicas, autorizadas judicialmente. "O governo está colocando tampa sobre panela de pressão. Esse movimento vai virar mobilização nacional e o Rio estará na vanguarda."

Entre os manifestantes, agentes que tiveram prisão preventiva decretada e familiares de presos. O sargento Paulo Edson Nascimento disse que se apresentaria ainda ontem. "Eu me apresentei, prestei serviço e mesmo assim decretaram minha prisão preventiva. Vou me apresentar, mas quero afirmar que esse governo está rasgando a Constituição ao pôr bombeiros e policiais em Bangu 1."

A aposentada Marilda Alves dos Santos, de 62 anos, estava indignada pelo fato de o filho - o sargento bombeiro Daniel Alves - estar no presídio de segurança máxima. "Estou ferida, porque meu filho é um homem que trabalha muito, que salva vidas. E ele está preso como um marginal, no mesmo lugar em que ficaram (os traficantes) Fernandinho Beira-Mar e Nem da Rocinha".

PMs também se queixaram de "punição geográfica". "O boletim da PM publicou hoje transferência de cinco policiais de Volta Redonda para Baixada Fluminense. Fica a mais de 100 km de casa", reclamou um sargento.

O porta-voz da PM, coronel Frederico Caldas, não confirmou a transferência, mas afirmou que a corporação vai fazer "o que quer que tenha de ser feito" para coibir a greve, inclusive dispersar envolvidos. "Há todo um trabalho de monitoramento para enfraquecer a greve. Somos servidores estaduais e temos de trabalhar em todo o Estado.".

O coronel destacou ainda que a avaliação da corporação é de que a prisão em Bangu 1 foi "uma medida dura e necessária para garantir a ordem". "Estávamos em uma situação crítica, com reflexo da greve dos bombeiros no ano passado, do movimento na Bahia. Se houvesse um recuo por parte do governo fluminense, certamente repercutiria mal no País inteiro", afirmou.

Hostilidade. Durante a manifestação, um simpatizante do movimento dos bombeiros iniciou discurso contra a Rede Globo. Gritando palavras de ordem, liderou cerca de cem pessoas, que atacaram duas equipes de reportagem com garrafas de água e bolinhas de papel. As equipes foram perseguidas por um quarteirão pelos policiais e tiveram de deixar o local.

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