Rio: PMs que atiraram em ônibus são indiciados

Soldados que assumiram ter disparado contra o veículo e ferido passageiros vão responder por lesão corporal. Quatro pessoas foram baleadas

Pedro Dantas / RIO, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2011 | 00h00

Dois soldados do 5.º Batalhão de Polícia Militar foram indiciados ontem por lesão corporal. Eles reconheceram que atiraram contra o ônibus com dez passageiros e balearam quatro inocentes, durante o assalto na linha Praça 15-Duque de Caxias, na noite de terça.

Os militares disseram à polícia que dispararam nos pneus para parar o veículo. O laudo da perícia do Instituto de Criminalística Carlos Éboli confirmou o depoimento dos passageiros de que os assaltantes não fizeram disparos e revelou marcas de tiros de diferentes calibres na lataria do coletivo - uma prova de que mais policiais podem ter atirado. "Poderemos requisitar as armas de outros envolvidos na ocorrência", disse a delegada Sânia Cardoso, reconhecendo a dificuldade de levar adiante a investigação, pois não foram recolhidos os projéteis deflagrados para uma futura comparação. Os dois PMs podem ser indiciados por homicídio culposo no caso da morte de uma das vítimas - que segue internada.

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), disse ontem que há enormes diferenças entre a tentativa de assalto e o episódio do ônibus 174, em 2000, quando a refém e o assaltante foram mortos por policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). "Se houve erro, o comando da Segurança Pública não vai passar a mão na cabeça dos culpados", declarou.

A PM vai consultar equipes táticas especializadas, psicólogos e negociadores do Bope para estudar os erros cometidos durante a abordagem. O objetivo é usar o caso como referência durante os cursos de formação e aperfeiçoamento de seus agentes. "Vamos nos debruçar sobre esse caso com cuidado para aprimorar nossa atuação", afirmou o coronel Ibis Pereira, porta-voz da PM fluminense.

"Não há manual no mundo que funcione como receita de bolo em um caso como esse. É preciso aprender com cada situação", comparou o coronel. "No caso do 174, houve falha no momento da negociação. Agora, a negociação foi bem conduzida." / COLABOROU BRUNO BOGHOSSIAN

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