Rio Paraibuna registra maior baixa em 10 anos

Se a seca na área persistir, o problema poderá afetar projeto do Estado de transpor parte do Paraíba do Sul para o Cantareira

Reginaldo Pupo, Especial para O Estado

18 Julho 2014 | 21h00

PARAIBUNA - O Rio Paraibuna, responsável por 61% dos reservatórios da Bacia do Rio Paraíba do Sul, registrou a maior baixa dos últimos 10 anos, atingindo 18% de sua capacidade nesta quinta-feira, 17. O pior cenário foi registrado em 2003, quando chegou a 13%. A baixa acendeu o alerta entre especialistas hídricos, que preveem que até novembro deste ano o índice possa atingir 10% de sua capacidade total. O Paraíba do Sul é considerado estratégico pelo governo paulista para contornar estiagens no Sistema Cantareira.

Se a seca no Paraibuna persistir, o problema poderá afetar a ideia do governo do Estado de transpor parte das águas do Rio Paraíba do Sul para o Complexo Cantareira, por meio da transposição entre as Represas Jaguari (que registra 42% de sua capacidade), em Jacareí, e Atibainha. Além disso, os especialistas alertam para a possibilidade de faltar água em algumas cidades no Vale do Paraíba que dependem do Rio Paraíba do Sul.

Anos difíceis. O Rio Paraibuna, localizado na cidade de mesmo nome, na região de São José dos Campos, é responsável pela geração de energia e abastecimento de água nas cidades do Vale do Paraíba paulista e do Estado do Rio de Janeiro. De acordo com Edilson Andrade, geólogo do Comitê de Bacias do Vale do Paraíba, o cenário é dos piores já registrados nos últimos anos. “Teremos de adotar medidas de economia e campanhas contra o desperdício, para que possamos passar os próximos anos, que serão muito difíceis”, ressaltou.

Representantes da Agência Nacional de Águas (ANA) dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais e representantes do Comitê do Rio Paraíba do Sul vão formar um grupo para avaliar a proposta do governo paulista de transpor parte do volume da Represa Jaguari, que integra o Paraíba do Sul, ao complexo Atibainha, para transbordo de água ao Complexo Cantareira, que registra 17% de sua capacidade já utilizando o volume morto. A proposta enfrenta resistência dos vizinhos, sobretudo de técnicos do Rio, que destacam que as estiagens costumam atingir os reservatórios simultaneamente.

O grupo técnico terá até o fim de setembro para apresentar um projeto que atenda à proposta do governo paulista e garanta a segurança hídrica do Estado do Rio de Janeiro, sem que a medida prejudique o Estado de Minas Gerais e provoque impactos negativos à bacia do Paraíba do Sul.

Vazão menor. Ainda nesta quinta-feira, a Agência Nacional de Águas (ANA) determinou a redução temporária da vazão mínima de água do Rio Paraíba do Sul para a barragem de Santa Cecília, localizada em Barra do Piraí (RJ). Segundo resolução publicada no Diário Oficial da União, a vazão deve diminuir dos atuais 190 metros cúbicos por segundo para 165 metros cúbicos por segundo até o próximo dia 15 de agosto.

A decisão foi tomada considerando, entre outros aspectos “a importância de se preservar os estoques de água disponíveis no reservatório equivalente da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, composto pelos reservatórios de Paraibuna, Santa Branca, Jaguari e Funil, face a atual desfavorável situação hidrometeorológica pela qual passa a bacia”. / COLABOROU LUCI RIBEIRO 

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