Rio negocia quartel da PM por R$ 400 milhões

Petrobrás está interessada na compra; outros 40 terrenos herdados do Exército devem ser vendidos

PEDRO DANTAS , ALFREDO JUNQUEIRA / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2012 | 03h07

O governo do Estado do Rio negocia por R$ 400 milhões a venda do Quartel General da Polícia Militar para a Petrobrás. Com localização privilegiada, a instalação histórica ocupa um quarteirão no centro da capital fluminense, a poucos metros da Cinelândia e do bairro boêmio da Lapa. A transação pode dar início a uma série de leilões de imóveis da corporação.

A PM possui outros quartéis em terrenos cobiçados nas zonas sul e norte e nos subúrbios. A venda dessas sedes das tropas em Leblon, Copacabana e Botafogo já é objeto de interesse de várias empresas imobiliárias. O negócio com a Petrobrás foi revelado pelo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), na noite de segunda-feira de carnaval, ao chegar ao sambódromo. Segundo ele, o prédio tombado pelo Município será transformado em museu e o restante do terreno poderá ser vendido para construção de "uma nova torre" da estatal. Procurada, a Petrobrás não se pronunciou.

"Houve uma avaliação do terreno de R$ 400 milhões. A Petrobrás ofereceu um pouco menos. Vamos chegar a um bom valor", disse Cabral. Segundo o governador, o dinheiro da venda será investido em segurança pública. Caso a transação se concretize, a nova sede do QG da PM será transferida ao local ocupado hoje pelo Batalhão de Choque, também no centro.

A intenção da Secretaria de Segurança é vender terrenos dos 40 quartéis herdados do Exército no século passado. Um dos objetivos é diminuir o "aquartelamento" de policiais e aumentar em 20% o efetivo da PM nas ruas. Além dos terrenos da polícia, a administração estadual fluminense pretende vender outros imóveis e instalações. Atualmente, estão abertos dois processos de licitação para alienação de salas e terrenos nas zonas sul e norte da capital. Com leilões previstos para o início do mês que vem, a previsão de arrecadação é de R$ 55,2 milhões.

Em 2010, o Estado do Rio promoveu outra licitação para venda de terrenos remanescentes da Linha 1 do Metrô. No mesmo ano, a administração estadual implodiu o Complexo Penitenciário da Frei Caneca, no centro, com o objetivo de construir conjuntos habitacionais no local. Ontem, a assessoria do governo informou que o terreno foi entregue à Caixa Econômica Federal, "para sua incorporação ao projeto Minha Casa, Minha Vida".

Adversário de Cabral, o ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) afirmou ontem que a venda do QG é uma "tríplice ilegalidade". Segundo ele, o Estado deveria licitar o terreno, a Câmara Municipal não foi consultada e a construção de um espigão seria "um estupro" do corredor cultural da cidade. Procurada, a Secretaria Municipal de Patrimônio Cultural não se pronunciou.

Negócios. Entre os terrenos dos quartéis da PM, o mais valorizado é a área de 40 mil metros quadrados do 23.º BPM do Leblon. Situado no bairro onde o preço do m² chega a R$ 19 mil, o leilão da área é um sonho das construtoras. Antes do boom imobiliário no Rio, a avaliação era de que o Estado arremataria pelo menos R$ 245 milhões. No entanto, uma forte oposição dos moradores fez o governo do Rio desistir da venda.

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