Rio investiga migração do tráfico para outras cidades

Bandido da zona norte da capital agora controla venda de droga em morro de Niterói; movimento seria efeito das UPPs

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2010 | 00h00

A migração de traficantes do Rio para o interior e região metropolitana preocupa as autoridades. Um dos gerentes do tráfico da Favela do Jacarezinho, na zona norte da capital, já identificado pela polícia, "arrendou" a boca de fumo na pequena comunidade do Morro do Rato Molhado, onde vivem 250 famílias, em Itaipu, na Região Oceânica de Niterói (região metropolitana).

Ele também ordenou que os comparsas fizessem um "censo" para identificar parentes e informantes de policiais que moram no local. A notícia espalhou medo na até então pacata favela, próxima de condomínios de classe média alta. "Por enquanto, não constatamos a presença deles, mas é uma região de alto poder aquisitivo cobiçada pelo tráfico de drogas", disse o delegado titular da 81.ª Delegacia de Polícia de Itaipu, Adilson Palácio.

Na subida do morro, a inscrição "Rato CV" indica que a favela está dominada por traficantes do Comando Vermelho, que também dariam as ordens nas favelas do Jacaré, em Piratininga, e Inferninho e Caniçal, em Itaipu. A Polícia Militar intensificou o patrulhamento da região, que os moradores julgam insuficiente. A maioria acredita que Niterói e São Gonçalo sofrem os efeitos colaterais das ocupações por Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nos morros na zona sul e na zona norte do Rio, antes dominados pela mesma facção criminosa.

De acordo com os moradores, pelo menos 15 traficantes do Rio estariam escondidos no Morro do Rato Molhado. Na segunda-feira, uma operação policial prendeu cinco pessoas que estariam envolvidas com o tráfico. Mas a polícia constatou que eles eram do Morro do Chapadão, também em Niterói.

Na terça-feira, tentativa de invasão do CV ao Morro dos Marítimos, em Niterói, terminou com um menor de 16 anos morto. No mês passado, tentativa de invasão de traficantes ao Morro do Céu, na mesma cidade, terminou em tiroteio entre traficantes e policiais. Em agosto, outra ação semelhante na Favela Coronel Leôncio terminou com dois mortos.

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