Tasso Marcelo/AE-2/5/2011
Tasso Marcelo/AE-2/5/2011

Rio interna à força crianças de cracolândia

Ação nas ruas será feita mesmo contra a vontade dos menores de 18 anos e parentes

Tiago Rogero e Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2011 | 00h00

Regulamentação publicada ontem no Diário Oficial do Rio determina que crianças e adolescentes apreendidos nas cracolândias fiquem internados para tratamento médico, mesmo contra a vontade deles ou da família. Os jovens, segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), só receberão alta quando estiverem livres do vício.

A internação compulsória vale somente para aqueles que, na avaliação de um especialista, estiverem com dependência química. Ainda de acordo com a resolução, todas as crianças e adolescentes que forem acolhidos à noite, "independentemente de estarem ou não sob a influência do uso de drogas", não poderão sair do abrigo até o dia seguinte.

Entre 31 de março e 25 de maio, a SMAS recolheu 153 jovens. Também foram retirados das ruas 538 adultos. Na semana passada, a secretaria inaugurou a Casa Viva, espaço para acolhimento e atendimento de 25 crianças e adolescentes em Laranjeiras, na zona sul do Rio. Com isso, há 105 vagas para a recuperação dos jovens na cidade.

Atrativos. Para a psiquiatra Analice Gigliotti, chefe do setor de Dependência Química da Santa Casa, a internação involuntária tem de vir acompanhada de outras iniciativas para garantir a adesão ao tratamento. "São crianças que vivem nas ruas, foram vítimas de abusos, não têm nada a perder. É preciso oferecer algo melhor, uma alternativa mais gostosa do que o crack e a rua", afirmou. Ela defende que os centros de tratamento lembrem clubes, com piscina, quadras de esporte.

A psicanalista Ivone Ponczec, diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad) da Universidade do Estado do Rio, lembra que sempre teve postura contrária ao tratamento compulsório, mas reviu essa posição diante da "tragédia do crack". "Essas crianças correm risco de vida."

Grave

Segundo o psiquiatra Jorge Jaber, retirar a liberdade do jovem é grave, mas "o crack leva a uma emergência".

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