Rio ganhará aterro de padrão internacional

Em até dois meses, a cidade do Rio começará a dar destino adequado às 9 mil toneladas de lixo que produz por dia. Com o início parcial da operação do aterro sanitário de Seropédica, a 60 quilômetros da capital fluminense, o município terá instalações próprias para o acúmulo de resíduos, com sete camadas de impermeabilização do solo e mecanismos de geração de energia a partir de gás.

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2011 | 00h00

A instalação do novo aterro se arrastou por oito anos, em uma batalha pela escolha do local, concessão de licenças e criação de uma estrutura de segurança de padrão internacional.

Segundo a prefeitura do Rio, não há risco de contaminação de lençóis freáticos. "Vamos gastar de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões por ano para dar essa solução ao lixo do Rio, mas é um investimento ambientalmente correto", disse o prefeito Eduardo Paes (PMDB).

Cerca de 300 sensores vão identificar vazamentos. O chorume (líquido tóxico gerado pela decomposição do lixo) será tratado e dará origem a água de reúso, com aplicação em processos industriais. A vida útil prevista do aterro é de até 25 anos.

Apesar de o sistema ser considerado adequado, o professor Claudio Mahler (Coppe/UFRJ) afirma que o Brasil ainda precisa recuperar 20 anos de atraso no aprimoramento da gestão de resíduos. "Países europeus já estão começando a abandonar a tecnologia de aterro, ao ampliarem técnicas de reciclagem, compostagem e geração de energia." Segundo o IBGE, só 27,7% das cidades brasileiras depositam seu lixo em aterros adequados.

Com o centro de Seropédica, o aterro de Gramacho, em Duque de Caxias - inadequado e saturado - será fechado. O novo aterro será administrado por um consórcio que gastou R$ 400 milhões para a construção e prevê despesas de R$ 100 milhões por ano com a operação.

PARA LEMBRAR

O lixão do Jardim Gramacho, o maior da América Latina, foi retratado no documentário Lixo Extraordinário, indicado ao Oscar deste ano.

A obra mostra o trabalho do artista plástico brasileiro Vik Muniz, que, com os catadores, transformou lixo em obra de arte.

Um dos destaques era o líder dos trabalhadores, Tião Santos, de 32 anos. Agora, ele está reunindo colegas para exigir apoio aos futuros desempregados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.