Rio: Força Nacional faz ocupação de cracolândia

Agentes vão ficar 24h no local até instalação de UPP; usuários terão todo o auxílio oficial

MARCELO GOMES / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2012 | 03h04

Cento e cinquenta agentes da Força Nacional de Segurança (FNS) ocuparam ontem o Morro Santo Amaro, no Catete, zona sul do Rio, para dar início ao plano "Crack, é possível vencer" na cidade. Lançado pela presidente Dilma Rousseff em dezembro, ele já existe nos Estados de Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Mas o Rio foi o primeiro Estado a requisitar a presença da FNS.

Portaria publicada no Diário Oficial da União estipula prazo de permanência de 180 dias da FNS no Rio, que pode ser prorrogado, se necessário. Os policiais da FNS vão permanecer 24 horas por dia na comunidade (até então dominada pelo tráfico) para dar segurança aos funcionários da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), que vão oferecer tratamento para os dependentes de crack e familiares.

Regina Miki, secretária Nacional de Segurança Pública, disse ontem que, após a saída da FNS, o Santo Amaro ganhará uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Mas o Estado não confirmou essa informação.

Cerca de 50 policiais civis e militares foram os primeiros a chegar à favela, por volta das 5h30. A comunidade foi ocupada em 15 minutos, e não houve resistência dos traficantes. A operação, planejada por três meses, vazou. Moradores disseram saber da ocupação desde anteontem. "Os traficantes fugiram. E eu não deixei o carro na rua, como sempre faço", contou uma moradora.

Em um terreno baldio, transformado em cracolândia há quatro anos, três dependentes foram detidos, ainda de madrugada. Além de muito lixo, garis retiraram do local barracas, colchões, sofás, roupas, armários e mesas improvisados, espelhos e até um quadro de Jesus Cristo.

O Morro Santo Amaro foi escolhido por ser um ponto de distribuição de drogas para toda a zona sul e o bairro boêmio da Lapa. "Então, se houver a paralisação da venda, rapidamente vamos acabar com o consumo pela cidade", disse o secretário de Assistência Social, Rodrigo Bethlem.

Dois contêineres foram instalados no alto do morro para abrigar os agentes da FNS. Um terceiro ficará na parte baixa da favela, onde trabalharão os assistentes sociais, psicólogos, psiquiatras e educadores da SMAS. Além de garantir tratamento a dependentes químicos, os agentes vão cadastrar moradores no Bolsa Família e encaminhá-los a serviços de saúde e educação.

Até o início da noite, 89 adultos e 11 adolescentes, a maioria usuários de drogas, foram acolhidos pelas equipes da SMAS. Eles foram encaminhados a abrigos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.