Rio faz campanha para achar cemitérios do tráfico

A Secretaria de Segurança Pública do Rio lançou ontem campanha para incentivar moradores do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, na zona norte, a denunciar existência de cemitérios clandestinos e esconderijos de ossadas nas favelas. O movimento foi inspirado na luta da família de Julio Baptista Almeida da Silva Barros, que tenta localizar o corpo do rapaz, morto em 2010, aos 30 anos de idade, pelo tribunal do tráfico da Favela Nova Brasília, após ser confundido com um estuprador.

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

17 Março 2011 | 00h00

"O objetivo dessa campanha é dar fim, ou, pelo menos, minimizar a dor e o sofrimento das famílias que desconhecem o paradeiro de um parente. Queremos concluir procedimentos judiciais, inquéritos policiais que estão lá como tendo em tese prática de homicídio ou de desaparecimento, mas não têm o corpo", declarou o secretário da Segurança, José Mariano Beltrame.

O Disque Denúncia oferece R$ 2 mil por informações que levem à localização dos restos mortais de Julio. Duas pessoas já estão presas. Leudy Alves de Brito, de 26 anos, e Silvânia Vieira dos Santos, de 29, foram detidos na sexta-feira. Em julho, ela confundiu o rapaz com um estuprador, cujo retrato falado foi divulgado por uma emissora de TV, quando ele aplicava produto contra os mosquitos da dengue na casa dela.

Dois dias depois, Silvânia e Leudy viram Julio em um ponto de ônibus e acionaram os traficantes. Luciano Martino da Silva, o Pezão, ordenou a tortura e a execução da vítima. Um terceiro comparsa está foragido. Todos estão indiciados por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.

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