Rio estende tapete vermelho ao cinema

Cidade se esforça para atrair produções e obter fatia dos lucros milionários do setor

Bruno Boghossian, O Estado de S.Paulo

29 Março 2011 | 00h00

Apesar da estrutura ainda pequena, da falta de política de incentivos e da concorrência de países com polos cinematográficos tradicionais, a cidade do Rio ampliou seus esforços para atrair grandes produções de cinema e TV, dando os primeiros passos na tentativa de se transformar na Nova York latino-americana.

O objetivo das autoridades é usar paisagens famosas e cenários históricos para fortalecer o Rio como locação de produções nacionais e internacionais - entre longas-metragens, videoclipes e filmes publicitários. Em pouco mais de um ano, o escritório responsável por oferecer a cidade como cenário, o Rio Film Comission, já comprovou o potencial milionário da indústria: em dez dias de filmagem, o quinto filme da série Velozes e Furiosos pagou US$ 3 milhões a produtoras, locadoras de equipamentos e outras prestadoras de serviços do município.

O lucro para as empresas cariocas poderia chegar a US$ 50 milhões caso a cidade conseguisse superar a concorrência internacional, segundo Sérgio Sá Leitão, diretor-presidente da RioFilme, empresa municipal de incentivo à produção audiovisual, à qual a Rio Film Comission é vinculada. "A história de Velozes e Furiosos 5 se passa integralmente no Rio mas, exceto os dez dias filmados aqui, todo o resto foi rodado em Porto Rico, que subsidia 40% dos gastos de produção em seu território", afirma Sá Leitão. "Queremos ter um filme internacional todo feito aqui."

No ano passado, as megaproduções Velozes e Furiosos 5 e Amanhecer (quarto filme da série Crepúsculo) empregaram cerca de mil pessoas no Estado. O município ainda recebeu a gravação de um videoclipe das cantoras Alicia Keys e Beyoncé e serviu de cenário para a animação Rio, que teve lançamento mundial na cidade, dia 22.

No rastro de Nova York. A Rio Film Comission, reestruturada em setembro de 2009, funciona nos moldes do escritório municipal nova-iorquino. Produtores interessados em usar áreas do Rio como locação fazem seus pedidos à entidade e recebem orientações sobre a escolha de espaços, fornecedores e prestadoras de serviços.

O benefício para o setor audiovisual é ampliado pela exigência de que produções estrangeiras se associem a empresas nacionais para filmar no País. O escritório municipal também é responsável pela obtenção de licenças e autorizações para a interdição de ruas. "São necessárias licenças para filmagem em áreas tombadas, de proteção ambiental, para fechar uma rua e outros requisitos. Além disso, em caso de interdições, a prefeitura desloca agentes de trânsito para reduzir o dano à população", explica Sá Leitão.

Em novembro do ano passado, moradores da Lapa chegaram a protestar contra a interdição de ruas do bairro durante a produção de Amanhecer, apesar de a Rio Film Comission ter garantido que realizou reuniões e notificou os moradores com semanas de antecedência.

Transtornos semelhantes são comuns em cidades com tradição cinematográfica, como Nova York, mas a população já incorporou os eventos à sua rotina. A cidade americana precisou reformar sua estrutura diversas vezes nas últimas décadas, pois começou a perder filmagens para Chicago, Baltimore e cidades canadenses, onde os custos eram menores.

Há quase três anos, o Rio disputava com outras cidades a chance de receber a filmagem de um longa-metragem do diretor Woody Allen. O objetivo era aproveitar o modelo usado em Vicky Cristina Barcelona, quando a cidade espanhola financiou parte da produção.

Produtores de Allen estiveram no Brasil em 2009. O governo do Rio e a prefeitura da capital se comprometeram a captar recursos para a realização do longa, mas o diretor acabou escolhendo Roma como cenário de sua próxima produção.

Para autoridades da capital fluminense, a exposição da imagem do Rio em filmes internacionais funciona como propaganda positiva da cidade no exterior e contribui para a expansão do turismo. "Com a Rio Film Comission, estamos facilitando a vida de quem quer filmar aqui no Rio e conquistamos uma divulgação espontânea da cidade", afirmou o prefeito Eduardo Paes.

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