Rio: diretor de museu é destaque em protesto

Diretor do Museu de Arte do Rio (MAR), o crítico de arte Paulo Herkenhoff virou personagem central no desfecho do protesto de anteontem contra o governador Sérgio Cabral (PMDB). Para evitar que o museu fosse invadido, ele assumiu a negociação entre manifestantes e Polícia Militar e recebeu voz de prisão.

ROBERTA PENNAFORT / RIO , O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2013 | 02h02

Ele esperava diretores de museus estrangeiros, que estão na cidade para a Conferência Geral do Conselho Internacional de Museus, para um coquetel, quando se deparou com cerca de cem manifestantes, que exigiam falar com o governador e o prefeito Eduardo Paes (PMDB), convidados da festa. Com a chegada da PM para coibir a manifestação, Herkenhoff acabou se juntando ao grupo, na defesa deles e do museu, e recebeu voz de prisão três vezes, por desacato. Nem Paes nem Cabral foram ao evento.

"Sou do diálogo. A frente do museu não pode ser espaço de violência, tem de ser de liberdade de expressão, por isso eu quis negociar", contou ontem o diretor, que passou duas horas na entrada do museu conversando com o grupo e negociando o fim do cerco feito pela PM. Com isso, acabou perdendo boa parte do coquetel. Os estrangeiros viram a confusão - segundo ele, no entanto, eles não se assustaram.

Herkenhoff só não conseguiu impedir que o índio Knaiah Água Corrente fosse levado à sede da Polícia Federal (por ser indígena), acusado de agredir um policial. Vindo da aldeia Waiwai, no Pará, para o Rio, Knaiah já morou na Aldeia Maracanã e é personagem frequente das manifestações. O rapaz de 22 anos foi liberado após o registro de um termo circunstanciado em que ele acusa o PM de agressão e é acusado de agredir o policial.

Revezamento. O mesmo grupo de manifestantes havia se reunido na Câmara Municipal, antes de seguir para o MAR, por causa dos boatos de que haveria uma invasão do local pela Polícia Militar. Dez pessoas ocupam o Legislativo municipal há nove dias. Ontem, os manifestantes protocolaram um pedido de autorização para que o grupo possa ser substituído. / COLABORARAM CLARICE CUDISCHEVITCH e FÁBIO GRELLET

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