Rio: Dique se rompe e 4 mil fogem de cheia

Moradores de Três Vendas tiveram de deixar casas após rio levar trecho de BR

PEDRO DANTAS , ENVIADO A CAMPOS, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2012 | 03h06

As cerca de 4 mil pessoas que vivem na localidade de Três Vendas, em Campos, norte fluminense, precisaram abandonar suas casas às pressas, ontem, para fugir de uma inundação causada pelas águas do Rio Muriaé. Para chegar à comunidade, a água destruiu um trecho de 30 metros da Rodovia BR-356, a cerca de 600 metros das casas. Já é a segunda vez, desde 2008, que o mesmo trecho da rodovia apresenta problemas.

A estrada funcionava como um dique para represar o rio, embora, segundo o órgão que a administra, não tenha sido projetada nem adaptada para exercer essa função. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) trocaram acusações sobre a responsabilidade pelo alagamento.

Assim que a rodovia foi rompida, na altura do km 119, a Defesa Civil de Campos, bombeiros e o Exército foram mobilizados para auxiliar os moradores a deixar a comunidade. Segundo a prefeitura de Campos, até as 18h de ontem, quando o volume de água em Três Vendas chegava a 40 centímetros, aproximadamente 300 das 1 mil famílias haviam deixado o local rumo a três abrigos oferecidos pela prefeitura.

Outras famílias se mudaram para a casa de parentes ou amigos, e mais 300 famílias haviam decidido ficar em seus imóveis, porque temem que eles sejam saqueados. As casas desse grupo estão situadas em áreas mais altas da comunidade, onde a chance de alagamento é menor. A previsão da Defesa Civil é de que a água chegue a 2 metros de altura.

"Coloquei os móveis e meus dois cachorros no segundo andar. Minha mulher foi para a casa de amigos, fora daqui, mas eu vou continuar. Já conversei com os bombeiros e não há perigo", afirmava ontem o carpinteiro Pedro Cordeiro, de 51 anos, morador do local há 5.

Já o soldador Noel Bonifácio, de 41 anos, preferiu deixar Três Vendas. "É melhor deixar minha família segura, e os móveis eu coloquei em cima da laje", contou. Ao longo da rodovia havia móveis espalhados por moradores que aguardavam veículos para ajudar a transportá-los.

O mercado do comerciante Carlos Augusto de Araújo foi um dos primeiros imóveis alagados. "Consegui salvar muita coisa, mas o prejuízo mesmo estará no tempo sem trabalho, porque as contas continuarão chegando."

Barreira. Segundo o Dnit, órgão federal que administra a BR-356, a rodovia não foi projetada nem adaptada para funcionar como barreira para a água do rio. O órgão afirma que em 2010 foram realizadas obras na rodovia para que a água da chuva passasse por baixo dela. Conforme o órgão, a contenção do rio deveria ser feita por um dique construído pelo extinto Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS).

O Inea, órgão do Estado do Rio que administra outros diques ao longo do Rio Muriaé, afirma que nenhuma das barreiras sob sua responsabilidade se rompeu. Especialistas em engenharia culpam a administradora da rodovia.

Nas outras cidades do Estado, a situação mais grave é em Santo Antônio de Pádua - e 12 mil pessoas ainda estavam fora de casa.

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