Reginaldo Pupo/Estadão
Reginaldo Pupo/Estadão

Rio de Janeiro quer a água de represa que está em São Paulo

Governo fluminense pede que agência federal também analise se há volume morto na Represa Paraibuna

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2014 | 19h49

SÃO PAULO - O Estado do Rio de Janeiro quer que a água da Represa Paraibuna, no interior de São Paulo, seja usada como reserva estratégica para abastecer a população das cidades da Região Metropolitana fluminense. O pedido foi feito para a Agência Nacional de Águas (ANA) pelo secretário estadual de Meio Ambiente do Rio, Carlos Francisco Portinho, que também quer saber se há volume morto no reservatório para usá-lo. 

No último dia 5 a pasta encaminhou ao órgão federal um ofício fazendo as solicitações. A Represa Paraibuna está na bacia do Rio Paraíba do Sul, que é federal, e também enfrenta uma estiagem severa.


A represa que o Rio de Janeiro reivindica está nesta sexta-feira, 7, de acordo com a ANA, em 4,48% do seu volume total. O manancial tem capacidade para 695,8 bilhões de litros de água.

“Caso essa estiagem persista por mais algumas semanas, entendemos que outras medidas precisarão ser tomadas para evitar o desabastecimento da população atendida pelos rios Paraíba do Sul e Guandu, inclusive da Região Metropolitana do Rio de Janeiro", afirma o secretário no documento. 

O pedido faz parte de um plano de contingência do Estado vizinho que depende da água que também passa por São Paulo e é usada para gerar energia na usina de Paraibuna, controlada pela Cesp (Companhia Energética de São Paulo). 

A água que o Rio quer corre ao longo do Rio Paraíba e chega ao Estado pela Represa Funil, em Itatiaia, na região serrana carioca. O reservatório também gera energia em uma usina controlada pela Furnas. Por isso, além do pedido ter que ser avaliado pela ANA, o secretário Portinho também fez a solicitação para o Operador Nacional do Sistema (ONS).

Procurada, a Secretaria de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo afirmou que participa do grupo técnica que "está avaliando a revisão da regra que define a operação hidráulica da Bacia do Paraíba do Sul" juntamente com Minas Gerais, Rio de Janeiro e a ANA. Os estudos estão em fase final.  A pasta disse que a Cesp opera "de acordo com as definições do ONS" e que "se as regras forem definidas conjuntamente, irá cumpri-las".

Transposição. O pedido de Portinho foi feito no último dia, 5, quarta-feira, mesma data em que o presidente da ANA, Vicente Andre, disse em São Paulo, durante a CPI da Sabesp, que a transposição da bacia do Rio Paraíba do Sul está próximo e é "tecnicamente viável".

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) que transpor a água da Represa Jaguari, na bacia do Paraíba do Sul, para o manancial Atibainha, em Nazaré Paulista, na Região Metropolitana de São Paulo, reservatório que forma o Sistema Cantareira. 

Após a fala de Andreu, Luiz Fernando Pezão (PMDB), dizendo que irá "acatar" caso haja a transposição, já que o Rio Jaguari, ponto da transposição pertence a São Paulo mas deságua em um rio federal que vai para o Estado vizinho.

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