Rio cria livro para homenagear heróis fluminenses

Entre os primeiros destacados estão os líderes de uma grande rebelião de escravos organizada no século 19

Bruno Boghossian, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2011 | 00h00

Líderes de uma grande rebelião de escravos organizada no século 19, Manoel Congo e Marianna Crioula influenciaram movimentos pela libertação de trabalhadores das fazendas do interior do Rio, mas são personagens raramente citados na história do Brasil. Com o objetivo de preservar a memória deles e de outros protagonistas do passado fluminense, o Livro de Heróis do Estado do Rio será criado para guardar os nomes desses personagens e incentivar o estudo de suas biografias nas escolas.

Manoel Congo e Marianna Crioula foram os primeiros integrantes aprovados pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), responsável pela escolha dos nomes que farão parte do grupo de homenageados. Os dois lideraram uma revolta de cerca de 400 escravos em pelo menos seis fazendas na região do Vale do Paraíba do Sul, em novembro de 1838. O levante foi considerado a maior rebelião de escravos do Estado do Rio e ficou marcado como símbolo da resistência da população negra na região. "Pouca gente conhece essa parte da história. Por isso, quisemos começar o livro ressaltando esses heróis, para que haja um estudo maior e para estimular a pesquisa desses nomes", afirmou a deputada estadual Inês Pandeló (PT), autora do projeto de lei que criou o livro.

Congo foi capturado dias depois, julgado e executado no ano seguinte. Marianna Crioula foi obrigada a assistir à execução, o que a teria levado à loucura. Ela voltou a trabalhar como escrava até a morte. "Esse caso não diz respeito apenas a uma memória do interior do Estado do Rio, pois a repercussão desse levante teve proporções nacionais. A essa época, o Rio era polarizador de pensamentos que existiam no restante do País", avaliou o historiador Magno Fonseca.

Tiradentes na lista. A lei que criou o Livro de Heróis do Estado prevê que apenas personalidades mortas ou desaparecidas há mais de 50 anos poderão ser homenageadas por meio da publicação. Entre as próximas votações previstas está o nome de Tiradentes, que nasceu em Minas Gerais, mas viveu seus últimos anos no Rio e foi enforcado na capital fluminense.

PARA ENTENDER

Obra se inspira no Livro de Aço de Brasília

A decisão de preservar a memória de personagens da história fluminense foi inspirada no Livro de Aço, também chamado de Livro dos Heróis da Pátria, que garante o status de "herói nacional" e fica exposto no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília. O panteão fica na Praça dos Três Poderes e foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer em 1985. Sua pedra fundamental acabou lançada pelo presidente da França, François Mitterrand, em 15 de outubro daquele ano.

Entre os homenageados estão Tiradentes, Zumbi dos Palmares, Marechal Deodoro da Fonseca, Santos Dumont e Duque de Caxias. Os nomes devem ser aprovados por projeto de lei pelo Congresso.

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