Rio Branco vai ganhar prédios de 20 andares

O projeto de revitalização da região da cracolândia vai afetar grande parte da região e poderá resultar na desapropriação de mais de 630 lotes de imóveis, ou 67% do total da região. É o que prevê o projeto para a região detalhado por quadras - apresentado ontem pela Prefeitura.

Márcio Pinho, Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2010 | 00h00

O governo municipal quer construir imóveis nessas áreas com o objetivo de atrair novos moradores e incrementar a atividade econômica na região, criando empregos. De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem, o objetivo é que não haja desapropriações. Para tanto, a Prefeitura vai incluir no edital do projeto alguma ferramenta prevendo que o consórcio vencedor negocie com os moradores. Uma possibilidade é de que ocorram permutas entre os atuais imóveis que ocupam e os novos - o que ainda será definido. O projeto de revitalização é discutido desde 2005 e segue sem prazos para a implementação.

Várias critérios foram utilizados na escolha dos lotes a serem "renovados" (termo usado pela Prefeitura). Um deles foi a altura de edifícios. Prédios altos, com muitos moradores, tornariam difícil o processo e por isso não foram escolhidos. Imóveis tombados tampouco sofrem alteração.Por isso, em termos de área total construída, a Prefeitura prevê modificar 350 mil metros quadrados, pouco mais de um quarto do total de 1,2 milhão de metros quadrados da região. A expectativa é de que a área tenha 1,8 milhão de metros quadrados construídos quando as intervenções terminarem.

Uma das vias que deverá receber mudanças significativas é a Avenida Rio Branco. Há 18 prédios de até 60 metros (cerca de 20 andares) previstos para o local, onde estacionamentos e casas desocupadas ocupam atualmente vários trechos. Com isso, a Prefeitura espera também dobrar o número de empregos, para 40 mil, e quase duplicar o de moradores, para aproximadamente 20 mil. Segundo Miguel Bucalem, o projeto aproveita a infraestrutura da região, em especial do sistema de transportes - a área fica próxima da Estação da Luz e da Linha 3-Vermelha do Metrô.

Investimento. O secretário informou ainda que R$ 150 milhões terão de ser investidos pelas empresas que tocarem o projeto em melhorias nas vias, como calçadas, iluminação e construção de parques.

O plano é dividido por áreas. A região da Rua Timbiras, por exemplo, deverá receber empresas de tecnologia. O setor "Nébias", próximo da Avenida São João, terá perfil residencial. O "Triunfo", próximo da Rua do Triunfo, terá habitações de interesse social. Perto da Estação da Luz, a ideia é criar núcleo de cultura e entretenimento.

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