Rio apura negligência de órgãos públicos

Delegado que investiga explosão em restaurante que matou 3 pessoas e feriu 17 agora diz que houve deslize

PEDRO DANTAS / RIO , O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2011 | 03h03

A Polícia Civil ouvirá os órgãos de fiscalização para apurar se houve negligência na autorização para o funcionamento do restaurante Filé Carioca, na Praça Tiradentes, no centro do Rio. O local, que usava e estocava ilegalmente cilindros de gás, explodiu anteontem de manhã. Três pessoas morreram e 17 ficaram feridas, três em estado gravíssimo.

O delegado adjunto da 5.ª Delegacia de Polícia do centro, Antônio Bonfim, antes cauteloso ao falar da responsabilidade do poder público no acidente, após encontro na cúpula da Polícia Civil, mudou ontem o discurso e falou que houve "deslize" na fiscalização. "Acreditamos na necessidade de resposta rápida e eficaz que tenha efeito pedagógico para que outros não cometam o deslize que este proprietário e os órgãos de fiscalização cometeram", disse o delegado.

Ele deve ouvir representantes da Secretaria de Ordem Pública da prefeitura do Rio, órgão fiscalizador dos estabelecimentos com alvarás provisórios, o Corpo de Bombeiros, responsável pela fiscalização de segurança do comércio, e a concessionária Companhia Estadual de Gás (CEG), que já confirmou não fornecer o produto para o prédio por falta de condições nas instalações. Enésio Madeira, síndico do Edifício Riqueza, onde funcionava o Filé Carioca, também será ouvido. Ele disse à imprensa que o uso de gás era proibido no prédio e desconhecia como o restaurante era abastecido.

O delegado já ouviu 14 testemunhas. Hoje, o dono do restaurante, Carlos Rogério do Amaral, e o irmão, Jorge do Amaral, que era o gerente e abria a casa, devem prestar depoimento.

Os funcionários disseram à polícia que o fornecimento de gás do restaurante era feito de forma clandestina no subsolo. Na terça-feira, parte da bateria dos cilindros de gás foi trocada. Eles acreditam que o vazamento tenha continuado e o gás ficou confinado durante todo o dia seguinte, quando o local não abriu por causa do feriado. Na quinta-feira, os empregados disseram que havia forte cheiro de gás.

Segundo a empresa contratada pela prefeitura para retirar o entulho do edifício, o impacto causado pela explosão foi equivalente à detonação de 5 a 10 quilos de dinamite - suficiente para a implosão de uma pequena casa. Os engenheiros avaliaram que as estruturas do edifício estão preservadas, mas pode ser necessário refazer vigas e lajes.

Donos de salas no edifício fizeram fila ontem para recuperar pertences que ficaram no prédio. A empresária Cristiane de Souza Garcia estima que tenha perdido R$ 40 mil em sua loja de venda de cabelo. Há uma semana, o estabelecimento mudou do 10.º para o 2.º piso - perto do restaurante. / COLABOROU BRUNO BOGHOSSIAN

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.