Rio: após 15 anos, agentes devolvem camarotes

PF e Polícia Civil abrem mão de regalia na Sapucaí após investigação apontar envolvimento de policiais com bicheiros

Alfredo Junqueira, O Estado de S.Paulo

04 Março 2011 | 00h00

A chefia da Polícia Civil do Rio e a Superintendência da Polícia Federal no Estado devolveram à Liga das Escolas de Samba (Liesa) os camarotes que havia 15 anos as instituições tinham no sambódromo. Os agentes também foram proibidos de aceitar convites e ir com os parentes, gratuitamente, aos desfiles.

Sindicâncias serão abertas para punir policiais que descumprirem a determinação ou forem flagrados na avenida fazendo segurança privada.

Organizadora dos desfiles do Grupo Especial, a Liesa tem em sua direção executiva e conselhos pessoas ligadas ao jogo do bicho. Presidente da entidade até 2007, o contraventor Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, é até hoje uma das pessoas mais influentes na liga.

As medidas foram determinadas duas semanas após a Operação Guilhotina, que prendeu dezenas de policiais civis e militares do Rio, acusados de envolvimento com atividades criminosas. Uma das irregularidades apuradas nas investigações da PF, que culminaram na queda da cúpula da Polícia Civil, foi justamente a proteção a bicheiros.

As justificativas apresentadas para a devolução dos camarotes foram diplomáticas. A assessoria da Polícia Civil informou que a delegada Martha Rocha, nova chefe da instituição, alegou que a "prioridade é trabalhar". A ausência de autoridades federais que necessitassem de proteção nos desfiles foi a explicação da PF para a sua não participação.

Os camarotes ficam no Setor 1 do sambódromo, acima dos postos avançados dos principais órgãos públicos que atuam durante os desfiles. Convites costumavam ser distribuídos pela Liesa para policiais que não estavam a serviço e seus parentes.

"Há 15 anos isso vinha sendo feito. Esses camarotes são contêineres, estruturas provisórias, reservados para as pessoas que estão trabalhando durante os desfiles. Essas pessoas poderiam levar a mulher e os filhos", explicou o presidente da Liesa, Jorge Castanheira. "Não vou comentar a decisão."

A polícia informou que a decisão de devolver o espaço não vai afetar o policiamento no sambódromo, que, pela primeira vez, contará com um núcleo da Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher (DPAM) - além de integrantes das delegacias da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), e Especial de Atendimento ao Turista (DEAT) e da Divisão de Fiscalização de Armas e Explosivos.

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