Rio ameaça greve e líder é preso por incitar crime militar

Após ter conversa gravada, Benevenuto Daciolo foi detido quando chegava ao Galeão; SP teve ontem 1º protesto pró-paralisação

O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2012 | 03h04

O cabo do Corpo de Bombeiros do Rio Benevenuto Daciolo foi preso administrativamente ontem à noite, pelo prazo de 72 horas, ao desembarcar na capital fluminense. Ele voltava da Bahia e escutas telefônicas revelaram sua participação em movimento para estender a greve para outros Estados. A detenção foi informada pela mulher do bombeiro, Cristiane Daciolo.

Gravação divulgada pelo Jornal Nacional, da TV Globo, mostra o cabo articulando um levante para pressionar o Congresso Nacional pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 300 de unificação dos salários dos militares em todo o País.

O secretário estadual de Defesa Civil e comandante do Corpo de Bombeiros fluminense, coronel Sérgio Simões, pediu à Justiça Militar a prisão do cabo pelo crime de incitamento, previsto no artigo 155 do Código Penal Militar. Ele responderá por "incitar à desobediência, à indisciplina ou à prática de crime militar". A pena prevista é de 2 a 4 anos de prisão.

Cristiane disse que o marido foi levado para o Quartel Central dos Bombeiros, no centro do Rio. Na noite de ontem, o governador Sérgio Cabral (PMDB) encaminhou carta ao governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), solicitando cópias das gravações para "tomar as providências cabíveis para manutenção da ordem pública no Estado do Rio".

Daciolo foi um dos líderes do movimento grevista no Rio, no ano passado. "Qual a possibilidade de nós conseguirmos passar no segundo turno na semana que vem?", pergunta Daciolo, sobre a votação da PEC. Em outro diálogo, com uma mulher, o cabo recebe orientações para estimular a greve na Bahia e impedir acordo. A greve ganharia novos contornos aos chegar ao Rio e afetar o carnaval. "Daciolo, Daciolo, presta atenção: está errado fechar negociação agora, antes da greve do Rio", alerta a mulher, que sugere a ele voltar à cidade. "Vou voltar", rebate ele.

Efeito cascata. O movimento grevista de policiais e bombeiros do Rio tem um dia decisivo hoje, com a realização de uma assembleia unificada das categorias na Cinelândia, no centro da cidade. Associações de militares e familiares também ameaçam greve em outros sete Estados. "Elas são ensaios para uma paralisação nacional pela aprovação da PEC 300", diz o coronel PM da reserva Adalberto Rabelo.

A votação decidirá entre a paralisação e a proposta do governo, que antecipou para este mês os reajustes previstos para 2012 inteiro. A proposta do governador deve ser aprovada pela manhã em votação na Assembleia Legislativa. Hoje, o menor valor pago a um soldado é de R$ 1.277,13.

São Paulo. Na capital, um protesto foi realizado ontem na Avenida Tiradentes, na frente do batalhão das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), em apoio aos militares baianos. O ato durou três horas e teve cerca de 150 participantes. As principais entidades de cabos, soldados, sargentos, subtenentes e oficiais da PM não compareceram. / FÁBIO GRELLET, PEDRO DANTAS, TIAGO DÉCIMO e BRUNO PAES MANSO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.