Rio: a cada regime de governo, um centro diferente

Livro da arquiteta Rachel Sisson mostra como a antiga capital federal se transformou nas épocas da Colônia, da Monarquia e da República

Felipe Werneck, RIO, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2010 | 00h00

O centro do Rio no período colonial ficava no Largo do Paço, atual Praça 15. Durante a Monarquia, migrou para o Campo de Santana. Na República, para a Praça Floriano (Cinelândia). O porquê das mudanças e uma pesquisa detalhada das construções marcantes de cada período, recheada com ilustrações, fotos e mapas antigos, estão no livro Espaço e poder: os três centros do Rio de Janeiro, da arquiteta Rachel Sisson.

Aos 81 anos, Rachel usa imagens atuais do Google para mostrar o desmonte de partes da cidade. No Brasil Colonial, as autoridades se concentravam no Largo do Paço. O mais importante eixo viário acompanhava o litoral, entre os Morros do Castelo e de São Bento. Em 1808, com a transferência da Corte de Lisboa para o Rio, o Largo do Paço tornou-se o centro da capital do império português. "Nenhum outro conjunto edificado até princípios do século 19 teve representatividade comparável", aponta Rachel. O quadrilátero formado pelo Paço Imperial, a antiga catedral, o Arco do Telles e o chafariz de Mestre Valentim está preservado, mas foi ofuscado pela construção do Elevado da Perimetral na década de 1960.

Palco da aclamação de D. Pedro I, o Campo de Santana "se impôs" como principal ponto de concentração da administração pública na monarquia. A expansão da cidade para oeste foi acompanhada por novos marcos. Embora o neoclássico seja sempre associado ao período imperial, o exemplar característico desse estilo na região foi a Casa da Moeda. Em muitos edifícios dominava o chamado "ecletismo internacional".

Rachel mostra que, ao contrário da formação relativamente gradual no Largo do Paço e no Campo de Santana, o centro do período republicano se formou rapidamente, com intervenções drásticas. Os prédios mais antigos da praça são contemporâneos à abertura da Avenida Central (atual Rio Branco), em 1905, e de sua primeira geração de edifícios. Inaugurado em 1906, o Palácio Monroe abrigou a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Em 1909 foi a vez do Teatro Municipal, inspirado na Ópera de Paris. No ano seguinte, inaugurou-se a Biblioteca Nacional. Os prédios têm estilo eclético, com imitações do segundo império francês e preponderância de exemplares neobarrocos, neogóticos e neoclássicos. Incendiado em 1919, o prédio de 1895 da Câmara Municipal foi substituído por novo edifício, em estilo Luís XVI, inaugurado em 1922. Quando o Rio deixou de ser a capital do País, a Praça Floriano adquiriu condição análoga à da Praça 15 de Novembro (antigo Largo do Paço) e à do Campo de Santana, diz Rachel. "O destino dos centros é dependente do poder", conclui.

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