Rio 2ª noite Uma viagem regional e internacional

Das seis escolas, apenas a Mangueira, com o Cacique de Ramos, focou uma tradição carioca; no restante, o sotaque nordestino e o inglês predominaram; o uso de verbas públicas, porém, foi defendido pelo prefeito Eduardo Paes

ROBERTA PENNAFORT , LUCIANA NUNES LEAL , MÔNICA CIARELLI / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2012 | 03h00

Às 21h20, violinos são ouvidos na Marquês de Sapucaí. Na sequência, as apresentações em estilo teatral lembram Hair, A Noviça Rebelde e O Fantasma da Ópera. Trata-se de uma homenagem aos musicais, mas o que se ouve é muito samba - e com bastante criatividade. Coube a São Clemente abrir o segundo dia de desfiles da elite carioca.

Mas as apresentações "internacionais" não pararam na Broadway. Na sequência, a União da Ilha cantou a Inglaterra. Já Salgueiro e Unidos da Tijuca celebraram ícones nordestinos, com muito regionalismo. Quem prefere temas cariocas, locais, teve de se contentar com a Mangueira - e o Cacique de Ramos. Já a Grande Rio optou por cantar casos de superação - no estilo do que fez para se pôr na avenida, após o incêndio que destruiu seu barracão em 2011.

Em todas, porém, destaque para muita animação e samba no pé. O show agradou ao prefeito do Rio, Eduardo Paes, que defendeu o uso de recursos públicos na festa e até fez uma provocação à Beija-Flor, uma das escolas mais ricas do Grupo Especial e destaque no primeiro dia (veja na C4). A azul e branca tem sede no município de Nilópolis, a 30 km do Rio, e recebeu do governo do Maranhão R$ 2 milhões, só para falar de São Luís.

Paes defendeu "transparência e profissionalismo" na administração dos recursos pelas escolas de samba e elogiou o desempenho da São Clemente. "Ela está fazendo uma exibição que é para deixar a Beija-Flor com vergonha", afirmou o prefeito, na pista do sambódromo, confiando que a agremiação quebre um tabu - há pelo menos uma década todas que ascendem do Grupo de Acesso A são rebaixadas no ano seguinte.

Segundo Paes, o subsídio da prefeitura para as escolas, desde que bem administrado, é suficiente para um bom desfile. "A São Clemente mostrou como dá para fazer muita coisa com o que a gente tem oferecido para as escolas de samba."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.