Ministério Público
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Ribeirão faz convênio para restaurar museus em risco de incêndio

Alunos de Arquitetura e Engenharia foram convidados para elaborar plano para os Museus Histórico e do Café

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2018 | 08h00

SOROCABA - Fechados desde 2016 e sob alto risco de incêndio, dois importantes museus do interior de São Paulo podem ser salvos da deterioração em que se encontram. A prefeitura de Ribeirão Preto assinou, nesta quarta-feira, 31, convênio com o Centro Universitário Moura Lacerda para um projeto de intervenção e recuperação do Museu Histórico e do Museu do Café, instalados no câmpus local da Universidade de São Paulo (USP).

Alunos dos cursos de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo do centro universitário têm prazo inicial de 12 meses para levantar as condições desses espaços e elaborar um plano de recuperação. O prazo pode ser prorrogado para até 60 meses.

O alerta para as condições precárias dos prédios foi dado no dia 3 de setembro, um dia após o incêndio que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Historiadores apontaram o alto nível de deterioração do conjunto, com ameaça real de perda desse patrimônio. A prefeitura anunciou a parceria, prevista para o fim daquele mês, mas houve atraso na definição do acordo. 

Entre as ações previstas, estão a pesquisa histórica sobre os imóveis e seus usos ao longo do tempo, o levantamento métrico e arquitetônico para os trabalhos de restauração e um relatório para orientar o projeto de restauro. A equipe do centro universitário realizou trabalho semelhante no processo de restauração do Palacete Jorge Lobato, no centro da cidade, inaugurado neste ano. 

O governo municipal pretende obter recursos da Lei Rouanet de incentivo à cultura para custear as obras, com custo estimado em R$ 6,6 milhões. Também devem ser obtidos repasses do Ministério do Turismo.

O prédio original do Museu Histórico pertenceu a Francisco Schmidt, grande produtor de café da região no século 19. O solar Schmidt foi a casa sede da Fazenda Monte Alegre, que concentrava as lavouras do chamado "rei do café". O Museu do Café foi instalado em prédio adjacente, construído em 1957. Os museus foram fechados há dois anos e oito meses depois que uma parte do forro desabou, atingindo o acervo. 

Em 2017, em ação movida pelo Ministério Público Estadual, a Justiça determinou a adoção de medidas para recuperar os museus, sob pena de multa diária de R$ 1 mil. 

Em setembro deste ano, peritos vistoriaram os prédios e apontaram problemas graves de umidade, instalações elétricas inadequadas, com risco de curto-circuitos, e ausência de sistemas de combate a incêndios. No Museu Histórico, um dos pavilhões estava com os pilares de sustentação da estrutura comprometidos.

No Museu do Café, foi constatado que as tábuas do forro estavam quebradas, deformadas e em risco de colapso. A prefeitura informou que uma ação imediata, paralela ao trabalho da equipe do centro universitário, será a reforma do telhado desse museu para conter as infiltrações.

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