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Revólver calibre 38 é o mais usado em roubos Polícia deve apurar origem de armas

Pesquisa do Sou da Paz traça perfil de armas dos criminosos e derruba ideia de que bandido usa armamento pesado

ARTUR RODRIGUES , BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2013 | 02h01

Revólver, calibre 38, da Taurus. Esse é o perfil da arma mais achada com criminosos na cidade de São Paulo, revela o estudo Armas do Crime elaborado pelo Instituto Sou da Paz. A maioria das armas apreendidas pela polícia (45,3%) foi usada em roubos e, entre os presos com elas, 6,4% já haviam matado.

A pesquisa foi feita com dados de casos de prisão em flagrante, entre abril e junho de 2011, fornecidos pelo Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo). A amostra usada foi composta por 466 armas.

Mais baratos e fáceis de usar, os revólveres correspondem a 65% das apreensões - a Taurus responde por 56,2% das apreensões. A conclusão dos pesquisadores é que esse é um tipo de arma que é comprada pelo cidadão comum, empresas de segurança e guardas-civis, mas acabam roubadas ou desviadas para o mundo do crime. "As pessoas falam que criminoso não compra arma na loja, mas a arma comprada na loja acaba na mão dos criminosos", diz o coordenador do Sou da Paz, Bruno Langeani.

Mesmo grupos treinados e com o porte garantido por lei - como policiais, juízes e promotores - podem ter suas armas desviadas e usadas por criminosos. É o que mostra o fato de 4,1% do armamento apreendido ter calibre .40 - de uso restrito a esses grupos. "Há discussão de várias categorias, como agentes penitenciários, que querem o porte. Esse dado mostra que é importe restringir os grupos com esse direito, porque muitas vezes os criminosos vão atrás deles para roubar as armas", afirma Langeani.

Calibre. De acordo com o levantamento, 69% do total de armas corresponde a calibres permitidos. O calibre 38 representa 52,4% das apreensões. Isso mostra que a impressão corrente de que os bandidos usam armas como fuzis e submetralhadoras pode ser enganosa.

Entre as apreensões, só 0,2% correspondia ao calibre 7,65 mm, de alguns tipos de fuzis. Cabe a ressalva de que quadrilhas organizadas de assaltantes, que usam armas pesadas, não representam a maioria das prisões.

Nas apreensões, depois de roubo, o segundo motivo de prisão é o Estatuto do Desarmamento, com 40,8%. Na prática, essas pessoas foram presas antes de cometer um crime e também poderiam engrossar as estatísticas de roubo. "Quando olhamos as pessoas presas por porte ilegal, elas têm alto índice de antecedentes por roubo", diz Langeani. O terceiro motivo de apreensão é o tráfico de drogas (7,2%), seguido por receptação (2,7%) e latrocínio (1,3%).

Entre os presos com as armas, 27,2% têm antecedentes por roubo. Depois, vêm porte ilegal de arma (12,4%), receptação (11,9%), furto (9,4%) e tráfico (9,4%). A cada cem presos, seis tinham antecedentes por homicídio. O perfil dos detidos com armas é majoritariamente por homens jovens - 60% tinham entre 18 e 25 anos. Outros 16,6%, estavam na faixa de 26 a 30 anos. Só 2,3% tinham mais de 51 anos. Do total de presos com armas, 98,3% eram homens.

O estudo do Instituto Sou da Paz mostra que, caso fosse feito um trabalho mais profundo de investigação, seria possível rastrear melhor as armas que circulam no mundo do crime. Pelo menos 40% das armas apreendidas não tinham a numeração raspada. "Há um espaço de trabalho mais qualificado para rastrear a origem dessas armas, interrompendo os canais de desvio e descobrindo de onde estão saindo", diz Bruno Langeani, do instituto.

No caso das pistolas, por exemplo, a maioria não teve a numeração raspada (51,8%). No de revólveres, 37% das armas continham a identificação. Para evitar que os criminosos adulterem as armas, há propostas de criar uma identificação eletrônica dos objetos. Isso seria feito por meio de chips. Hoje, dependendo da adulteração, é possível recuperar a numeração. / A.R. e B.P.M.

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