Revolução de 1932: Novidade da guerra civil estava no ar

Aviões eram empregados para fotografar o terreno, lançar panfletos e, principalmente, fazer fogo sobre o inimigo

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2017 | 03h00

Os trens eram blindados e os canhões saídos das fundições e metalúrgicas de São Paulo tinham alcance inesperado; a força constitucionalista usava metralhadoras com as quais a tropa federal não contava e, no mar, navios pesados ameaçavam com a devastação causada pela grossa artilharia embarcada. Tudo novo, tudo velho. A novidade da guerra civil brasileira estava no ar - aviões de caça, pequenas e ágeis máquinas de voar, usadas em missões aéreas pelos dois lados da luta.

Os paulistas tinham 4 aeronaves. Os federais operavam uma frota maior de, talvez, até 30 “veículos aeroplanos” de variada origem. Embora os bombardeios tenham sido pesados, não foi esse o batismo de fogo da cidade de São Paulo. Na Revolta de 1924, dois monomotores Morane-Salnier e Nieuport 21 despejaram granadas de 60 kg sobre os bairros do Brás, Mooca, Belém, Aclimação, Vila Mariana e Ipiranga. Os ataques eram complementados pelo fogo dos canhões. As pessoas abandonaram as suas casas e permaneceram em abrigos improvisados durante os 23 dias de duração do conflito, que fez 503 mortes e cerca de 4,8 mil feridos.

Em 32, oito anos depois, a ação aérea foi mais sofisticada. Os modelos Potez 25, francês, e Waco CSO, americano, foram os principais protagonistas - em ambas as aviações envolvidas. Os ‘reides’, como eram chamadas as incursões se estenderam até cidades do interior do Estado. Campinas sofreu 10 bombardeios conduzidos pelo então major Eduardo Gomes. Em Casa Branca e Mogi Mirim dois federais foram abatidos a tiros de metralhadora. Em um único dia foram realizadas sete incursões e lançadas 36 bombas.

A tecnologia estava chegando ao combate no ar. Os aviões eram empregados para fotografar o terreno e a eventual movimentação do inimigo. Foram mobilizados para lançar panfletos da propaganda política dos constitucionalistas paulistas e também do governo provisório de Getúlio Vargas. O trabalho principal, entretanto, era o de fazer fogo sobre o inimigo. Na média, cada avião podia levar 110 kg de bombas, algumas delas com cargas incendiárias. Vários deles incorporavam uma metralhadora 7 mm. Não havia equipamentos óticos para dirigir os explosivos, despejados de seus suportes pelo acionamento manual de uma alavanca no momento em que o piloto passava sobre o alvo, localizado visualmente, a pouco mais de 130 km por hora.

 

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