Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Réveillon na Paulista bate recorde e atrai dois milhões de pessoas

Pela manhã, equipe da Prefeitura de São Paulo fez a limpeza e desmontagem do palco; trânsito já está liberado na via, mas com pouca movimentação de veículos

Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

01 de janeiro de 2014 | 09h42

Atualizado às 14h15

SÃO PAULO - Um público recorde, estimado em mais de dois milhões de pessoas, aproveitou a virada do ano na Avenida Paulista com tranquilidade e sem chuva. A festa, que teve shows e fogos de artifício, começou por volta das 19h50 da terça-feira, 31, e foi até a 1h. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, cinco pessoas foram detidas em cinco ocorrências policiais: três por furto e duas por tráfico de entorpecentes. Os casos foram encaminhados ao 78° DP (Jardins).

A segurança do evento contou com 1.500 policiais militares e os boatos de que haveria protestos não se concretizaram. "Durante o transcorrer do evento, houve publicações e convocações de manifestações nas redes sociais, mas a polícia deslocou PMs para esses prováveis locais de encontro. Não tivemos registro nem de aglomeração" disse o tenente coronel Fernando Bartasevicius, chefe da operação da virada do ano. Ainda segundo Bartasevicius, seis mascarados, supostos integrantes do grupo black bloc, foram vistos pela polícia na Paulista e imediatamente abordados e identificados.

Público. Em cada canto da avenida, diferentes sotaques do Brasil e línguas de todo o mundo eram escutados. Na esquina da Paulista com a Rua Peixoto Gomide, um grupo de dez sírios, no qual havia mulheres usando lenços, observavam todo o movimento da festa atentamente enquanto eram abordados por muitos brasileiros curiosos. "A festa está demais. O meu desejo para 2014 é que a guerra civil na Síria termine. Eu cheguei no Brasil há três dias, mas os meus pais ficaram lá", disse em inglês Mustafa Kutrieh, de 20 anos.

Enquanto o grupo optou por ficar longe do palco, mas perto de telões, houve quem tivesse saído cedo de casa para garantir a proximidade à grade de segurança. "Vim de Poá às 16h e deixei meus dois filhos com a minha mãe só para ver os fogos", disse a operadora de caixa Natalia Pereira, de 27 anos. Ela veio sozinha, mas acabou conhecendo Kelly Nascimento, publicitária de 35 anos. "Arranjei até uma amiga. Jantei na casa dos pais dela aqui na avenida e colocamos até foto no face (Facebook)", brinca Natalia. As duas ficaram de frente para o palco e nem a sede as fez desistir do local.

Atrações. No palco de mil metros quadrados, passaram artistas para todos os gostos como Paulo Ricardo, Supla, Toquinho, NxZero, Sampa Crew, Fernando e Sorocaba, entre outros. Foram mais de dez artistas e bandas que animaram a multidão na Paulista. À 0h, após a contagem regressiva, os fogos coloriram o céu da avenida durante 15 minutos.

"Nos surpreendeu, à meia noite, um público que veio para assistir a queima de fogos na parte que não havia estrutura, até a Rua da Consolação", disse Marcelo Flores, diretor da Playcorp, responsável pela organização do réveillon. Segundo Flores, a estimativa de mais de dois milhões de pessoas tem como base o fluxo contínuo durante as 7 horas de programação.

Ibirapuera. Pela primeira vez, o Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, recebeu uma festa de réveillon e quem optou por inovar na virada do ano na capital curtiu um clima ‘bem família’. Havia muitas crianças e idosos no parque e não era raro ver uma roda de amigos (até com cachorros) sentados na grama conversando enquanto aproveitavam a música do palco.

Além de quem optou por comemorar a virada ali, no meio da natureza, alguns paulistanos e turistas escolheram passar no parque antes de ir para a tradicional festa na Avenida Paulista. Uma das principais atrações foi a iluminação e o show multimídia na fonte. E foi essa mistura de música, imagens, água e luzes que fez o economista Wilton Albuquerque ir ao local. "Vamos a pé para a Paulista, mas quis trazer a família aqui. Vamos subir a Brigadeiro que nem a São Silvestre", brincou.

Ele trouxe a mãe que nunca tinha visto o show de luzes e as projeções. "Achei maravilhoso. Não tenho palavras", disse Dona Gercina Albuquerque, de 72 anos, acompanhada também da irmã e da sobrinha, que vieram de Juazeiro do Norte, no Ceará.

Não houve venda de bebida alcoólica no parque, assim como nos demais dias do ano. "Optamos pelo parque pelo clima familiar e o show. Além disso, meus pais são do interior e os trouxe para conhecerem o Ibirapuera", disse a farmacêutica Maria Angélica Natalício, de 36 anos. Ela veio acompanhada dos pais, o noivo, a irmã e a sobrinha.

Neste primeiro ano, a programação no Ibirapuera teve DJ Neggo Billy, o cantor Claudio Zoli, e a atração principal, Demônios da Garoa. O evento teve duração de cerca de cinco horas.

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