Reunião sobre Luiz Moura na Assembleia termina em bate-boca

Encontro havia sido marcado para discutir a situação do deputado estadual, suspenso do PT após suspeita de ligação com o PCC

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2014 | 17h59

SÃO PAULO - Terminou em bate-boca a reunião do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Pualo, marcada nesta terça-feira, 3, para discutir a situação do deputado Luiz Moura, suspenso nesta segunda-feira do PT por 60 dias, após suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O deputado Antônio Mentor (PT) e Pedro Tobias (PSDB) trocaram gritos e xingamentos como "mentiroso", durante a sessão desta tarde. Luiz Moura estava presente na sessão da comissão, mas não falou com seus colegas. O bate-boca se deu depois que o deputado José Bitencourt (PSD) questionou a legalidade da convocação da Comissão de Ética.

O presidente da comissão, Hélio Nishimoto (PSDB) convocou a Comissão de Ética atendendo representação feita pelo deputado Pedro Tobias. Na representação, Tobias citava reportagens sobre a participação de Moura em uma reunião que tinha também pessoas acusadas pela polícia de fazerem parte do PCC e reportagens lembrando do seu passado como ladrão de supermercado (pelo qual já respondeu) e uma declaração de pobreza feita à Justiça dois anos antes de nova declaração revelando patrimônio de R$ 5 milhões.

A sessão havia se iniciado às 15h30, com os deputados Bittencourt e Campos Machado (PTB) defendendo que Mentor não fosse ouvido. A favor das declarações estavam os deputados da bancada do PSDB. Bittencourt, no entanto, pediu a palavra para questionar o presidente Nishimoto sobre a legalidade da convocação da reunião do conselho. Ele argumentou que o regimento interno da assembleia prevê que, em casos como este, o deputado citado tem direito a receber a representação que o acusa por escrito, o que não ocorreu. 

Os deputados passaram a pressionar o presidente da comissão para suspender a sessão. Foi quando Pedro Tobias, autor da representação, pediu a palavra. O líder do PT na assembleia, João Paulo Rillo (PT), tentou impedir a fala de Tobias já prevendo que dali sairia um discurso agressivo, o que de fato ocorreu. Tobias citou a reunião que, segundo ele, "tinha 15 membros do PCC" e o enriquecimento milionário de Moura.

Antônio Mentor, aos gritos, disse que os 15 membros do PCC estavam "na cabeça dele" e passou a chamar Tobias de mentiroso. Os deputados se levantaram com o dedo em riste e começaram a gritar um em direção ao outro, sendo contidos pelos colegas. Nishimoto, então, decidiu suspender a sessão para estudar a ilegalidade que havia sido apontada pelo pessedista Bittencourt. 

Nishimoto afirmou que deixará para a próxima reunião da Comissão de Ética, marcada para segunda, a decisão sobre a análise do requerimento feito por Pedro Tobias e se Luiz Moura será ouvido. Os membros da comissão vão decidir se Moura comparecerá à sessão para se explicar ou se irá se defender por escrito à comissão. Há possibilidade de ele responder processo por quebra de decoro parlamentar. 

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