'Retrofit' muda cara de prédios da Paulista

Cinquentões trocam pastilhas e granito por placas metálicas e vidros espelhados

CAIO DO VALLE, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2012 | 03h03

A Avenida Paulista passa por uma cirurgia plástica. No lugar de bisturis, andaimes e tapumes. Revestimentos de fachada são trocados por materiais novos. O alvo da transformação são antigos prédios, alguns erguidos há 50 anos. O objetivo é adaptá-los aos tempos modernos, aumentar seu valor e deixá-los sustentáveis. Mas há quem critique essas mudanças.

A transformação pode ser observada em cinco edifícios. Em parte deles, a nova aparência significa vidros espelhados. Placas metálicas também estão no topo das preferências. São esses elementos que têm sido usados para encobrir as feições originais das construções feitas com pastilhas, granito e cerâmica.

Na esquina com a Alameda Campinas, o Edifício Numa de Oliveira, inaugurado nos anos 1960, simboliza a tendência. Quase toda a fachada da torre de escritórios foi renovada, em processo iniciado em 2010. A cor creme foi trocada por cinza-azulado. Segundo a gerente administrativa do condomínio, Sonia Dutra, de 45 anos, também foram criadas regras para padronizar o visual das janelas. "Não se pode mais pôr qualquer proteção interna nos vidros novos." Ela diz que, desde o início das intervenções, o preço do metro quadrado no edifício subiu de R$ 7 mil para R$ 10 mil.

Outro prédio que ganhou vidros modernos é o Bela Paulista, na esquina com a Rua Bela Cintra. De 1968, era conhecido como Horácio Lafer até dois anos atrás. Um retrofit - ou repaginação de prédios - feito pela empresa VBI Real Estate, que comprou o imóvel em 2008, mudou sua cara. A obra terminou no fim de 2010. Os vidros escuros foram trocados por refletivos.

A empresa é a mesma que reformou o prédio Paulista 1.100, instalando vidros espelhados na construção de 1974. A reforma acabou há cerca de um ano.

Mas não só as torres comerciais passam por alterações. O prédio do Sesc Paulista - fechado para reforma até o fim do ano que vem - passa por uma transformação radical na fachada. O antigo residencial Dumont-Adams, ao lado do Masp, se prepara para virar um anexo do museu (leia mais ao lado).

História. As opiniões de quem anda pela avenida sobre as mudanças nos prédios são divergentes. Para alguns, representam progresso. "Alguns prédios eram bem feios", afirma o auxiliar de escritório Rodrigo Pereira, de 22 anos. A economista Eunice Lopes Iglesias, de 52, prefere fachadas originais. "Gosto do que é mais tradicional, do que ajuda a contar a história." Para ela, São Paulo tem poucos prédios antigos. "Com a modernização das fachadas, elas terminam ficando padronizadas."

Professor da Universidade de São Paulo, o urbanista José Eduardo de Assis Lefèvre concorda. Ele diz que essas reformas nem sempre trazem bons resultados. "A arquitetura tem a ver com o momento da construção. Não se trata de moda."

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