Restrições perdem ‘validade’ depois de um ano e meio

Para especialistas, as restrições não podem ser a única ferramenta pública para lidar com os congestionamentos

Bruno Ribeiro e Rodrigo Brancatelli - O Estado de S. Paulo,

08 Março 2012 | 23h31

SÃO PAULO - Seja nas Marginais do Tietê ou do Pinheiros, na Avenida do Estado, na dos Bandeirantes ou em ruas de bairros, as restrições impostas a veículos pesados em São Paulo têm um ponto em comum: todas até hoje tiveram data de validade, de um ano a um ano e meio. É esse o tempo que leva para as proibições perderem o efeito no trânsito paulistano e os congestionamentos voltarem a índices caóticos.

Na Avenida dos Bandeirantes, por exemplo, a abertura do Trecho Sul do Rodoanel e a proibição aos veículos de carga, em setembro de 2010, causaram uma redução imediata de 28% no trânsito. Seis meses depois, comparando os índices da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) com o mesmo período do ano anterior, essa melhora era de cerca de 15%. Mais seis meses, e os índices no horário de pico da noite eram praticamente iguais.

Também em setembro de 2010, os caminhões foram restritos na Marginal do Pinheiros e na Avenida Jornalista Roberto Marinho. Hoje, quase um ano e meio depois, a melhora no trânsito já não é mais sentida pelos motoristas. Essa mesma dinâmica pode também ser vista na inauguração de obras viárias - após a abertura do Trecho Sul do Rodoanel e das novas pistas da Marginal do Tietê, o trânsito na cidade diminuiu cerca de 30%. Não durou muito. Passados dois anos, atualmente essa melhora na fluidez do trânsito é de apenas 5%.

Para especialistas, os números mostram que as restrições não podem ser aceitas como a única ferramenta pública para lidar com os congestionamentos da cidade. "Toda restrição vai ter data de validade, porque sempre vai ter mais carros, mais motos, mais veículos entrando na frota e aumentando os índices de lentidão", diz Flamínio Fichmann, urbanista e consultor de engenharia de tráfego. "Esse possível benefício da nova restrição a caminhões na Marginal do Tietê também não vai durar um ano. A única medida que pode ser permanente no futuro é o pedágio urbano, porque ele taxa o motorista, é uma cobrança de uso, e isso pode desestimular o transporte individual", explica.

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