Restauro da Vila Itororó começa a sair do papel

Prefeitura colocou em consulta pública edital para contratar serviços; obras no Bexiga devem começar neste ano, ao custo de R$ 44 mi

EDISON VEIGA, RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

28 Março 2012 | 03h03

Previsto desde 1974, o restauro da Vila Itororó, no Bexiga, região central de São Paulo, finalmente deu o primeiro passo para sair do papel. A Prefeitura colocou em consulta pública o edital para contratar os serviços de restauração e adequação do conjunto de construções "surrealistas" que formam um dos mais curiosos marcos arquitetônicos da capital. As obras devem ser iniciadas ainda neste ano, ao custo de R$ 44 milhões, com conclusão estimada até 2014.

No local deve funcionar um centro cultural, com espaços museológicos, recintos para exposições, salas para oficinas, biblioteca, brinquedoteca e até um restaurante italiano, com o objetivo de difundir a culinária característica do bairro, conhecido pelas cantinas. "Nossa proposta é que o espaço seja o primeiro centro de memória de bairro de São Paulo", afirma o arquiteto Decio Tozzi, coautor do projeto. "Espero que, com o tempo, outros bairros façam o mesmo."

"Teremos muitas atividades a céu aberto, nas praças internas entre as casas", garante o secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil. "Queremos transformar a área em um ponto de encontro para a população."

História. A vila foi construída entre 1916 e 1922 pelo tecelão português Francisco de Castro e ficou conhecida como Vila Surrealista, por causa da arquitetura extravagante, com grandes carrancas e outros adornos. É formada por 37 casas e um palacete, com piscina. "Foi a primeira piscina particular de São Paulo e era abastecida com água corrente, do córrego", afirma o arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo, coautor do projeto de restauro.

Por suas peculiaridades arquitetônicas, o endereço sempre foi visto com curiosidade pelos paulistanos. Muitos dos pilares e carrancas instalados ali antes pertenceram ao Teatro São José, destruído por um incêndio em 1898 - o português Castro teria comprado os adornos de revendedores de materiais de demolição.

Ao longo do século passado, o conjunto de casas foi se transformando em cortiço - o local abrigava 86 famílias até 2011. Segundo a Prefeitura, elas foram realocadas para outros imóveis na mesma região. A remoção terminou no dia 15 de dezembro do ano passado, e os puxadinhos construídos por elas, não previstos no projeto original, serão demolidos.

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