Tiago Queiroz/AE-25/2/2011
Tiago Queiroz/AE-25/2/2011

Restaurantes da zona oeste sofrem 4 arrastões em 7 dias

Estabelecimentos de Pinheiros e da Vila Madalena foram alvo de criminosos; desde o início do ano, são pelo menos 8 casos na região

Elvis Pereira, O Estado de S.Paulo

12 Março 2011 | 00h00

Restaurantes de Pinheiros e da Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, sofreram uma nova onda de arrastões. Entre os dias 2 e 9 deste mês, quatro estabelecimentos foram invadidos. Em fevereiro, outros quatro já haviam sido alvo de ladrões. Até ontem, nenhum acusado havia sido preso. A Polícia Civil informou que apura os casos e a PM disse que desde ontem o policiamento nos bairros está reforçado.

O primeiro caso foi registrado no dia 2, às 21h30. Quatro assaltantes chegaram a um restaurante na Rua Mourato Coelho, na Vila Madalena, em um Jeep Cherokee roubado. Armados, três desceram, renderam um manobrista e entraram no estabelecimento. O último estacionou o veículo e desceu em seguida. O local estava lotado.

"Quanto entrei as pessoas estavam gritando, havia cliente passando mal", contou a dona do restaurante, que pediu para não ser identificada. Ela trabalha ali há 17 anos e nunca havia sido assaltada. Os funcionários receberam ordem para deitar no chão e os clientes, para colocar os pertences sobre as mesas. Os criminosos recolheram dinheiro, cartões, celulares, cheques e fugiram no Corsa de um dos empregados do restaurante.

No dia seguinte, o alvo foi um restaurante japonês na Rua Mateus Grou, em Pinheiros. Os outros dois arrastões aconteceram nesta semana. Um na Rua Francisco Leitão, no mesmo bairro, na terça, e o último, na Rua Jericó, na Vila Madalena, na quarta.

Os oito roubos, deste mês e do passado, assemelham-se tanto pela formação das quadrilhas como pelo modo de agir. Os bandos são formados por quatro ou cinco homens, aparentemente com idade entre 20 e 30 anos. Costumam chegar aos restaurantes no fim da noite em carros mais potentes. Um fica do lado de fora e os demais, armados, invadem os imóveis. Em poucos minutos, roubam o dinheiro do caixa e levam relógios, cartões, cheque, documentos e celulares dos clientes e empregados.

O delegado Ricardo Cestari, titular do 14.º DP (Pinheiros), afirmou não ser possível, por enquanto, definir se os crimes estão sendo praticados pela mesma quadrilha. Ele disse que pretende intimar as vítimas para obter mais descrições dos ladrões e fazer retratos falados. O comandante do 23.º Batalhão da PM, major Marcelo Nagy, disse ter deslocado equipes da Força Tática e do policiamento de motocicleta para percorrer as vias que concentram os ataques.

Percival Maricato, diretor jurídico da Associação de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel), diz que a entidade vai pedir ajuda à Secretaria da Segurança Pública. "Não queremos uma atenção privilegiada, mas pedimos que se tome uma atitude contra ações de violência recorrentes." Segundo ele, é possível que haja mais casos do que os registrados pela polícia. "Nem todos os donos de estabelecimentos invadidos querem ter isso noticiado porque a repercussão pode ser negativa", diz. Ele sugere que se monitore as entradas e saídas da Vila Madalena. "É fácil controlar os acessos ao bairro." /COLABOROU PAULO SAMPAIO

PARA LEMBRAR

No mês passado, quatro casos de arrastão foram registrados em um intervalo de 12 dias na Vila Madalena e em Pinheiros, ambos na zona oeste da capital. Foram assaltados os restaurantes La Trattoria, na Rua Antônio Bicudo (dia 24), e Kioku Japanese Food, na Rua Lacerda Franco (dia 13), ambos em Pinheiros; e Rothko, na Rua Wisard (dia 23), e Sakkana Sushi (dia 12), os dois na Vila Madalena. Em todos os casos, quatro ou cinco homens invadiram o estabelecimento e assaltaram clientes e proprietários.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.