Restaurantes cobram ação da PM contra arrastão

Associação critica declaração de coronel de que clientes precisam levar em conta câmeras e vigias ao escolher onde almoçar ou jantar

Gustavo Villas Boas - estadão.com.br,

06 de junho de 2012 | 22h30

SÃO PAULO - A Associação Nacional de Restaurantes (ANR) reagiu à onda de arrastões em São Paulo e à declaração do tenente-coronel João Luiz Campos, que afirmou ao Estado que os clientes devem considerar a segurança oferecida pelo restaurante na hora de escolher o local.

"O que é preciso é a polícia prender quem rouba ou pelo menos inibir", afirmou Alberto Lyra, diretor executivo da entidade, ao estadão.com.br. Em nota, a ANR disse que a opinião do tenente-coronel equivale a dizer que "vítimas de estupro provocam esse tipo de crime".

Campos é o comandante do 7.º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo bairro de Higienópolis, na região central de São Paulo. Dois arrastões aconteceram na região nos últimos 10 dias. Os alvos foram a Pizzaria Brás e o restaurante Carlota.

Lyra se disse surpreso com a declaração do coronel. Segundo ele, os restaurantes prestam todas as informações solicitadas pela Secretaria de Segurança Pública e, desde o começo do ano, fazem reuniões com o comando da polícia por causa dos roubos. Em sua opinião, a declaração de Campos sugere que a população não deve sair de casa. "As pessoas têm direito de escolher os lugares que querem frequentar. Os restaurantes pagam impostos e as medidas adicionais são tomadas para tentar minimizar o problema. Mas o poder de prender e a responsabilidade da segurança é da polícia."

Na sexta-feira, o coronel também declarou ao Estado que, "além da qualidade da comida e da limpeza, é preciso também saber se (o restaurante escolhido) oferece seguranças e câmeras, por exemplo".

Para Lyra, os restaurantes tomam tais medidas porque o combate a esse tipo de crime não é eficiente. "A segurança pública é obrigação do Estado. A declaração do tenente-coronel só confunde o público. Ele transfere à população a responsabilidade."

Patrulhamento. Em nota, a Polícia Militar de São Paulo disse que não se manifestará sobre as declarações da ANR, mas que "não foge das suas responsabilidades e não considera que a população seja culpada por crimes ocorridos em estabelecimentos comerciais e restaurantes". Diz ainda que a "PM irá sempre reforçar o patrulhamento em áreas com maior concentração de restaurantes".

Desde o começo do ano, mais de dez arrastões em restaurantes foram registrados na cidade de São Paulo.

Lyra afirma que esses crimes são subnotificados, pois muitos clientes e estabelecimentos têm medo de fazer boletim de ocorrência. "Nós temos conhecimento de pelo menos dois casos que não foram registrados", afirmou. Ele ressaltou ainda que as medidas sugeridas por Campos, como a instalação de câmeras no estabelecimento, "são ineficazes". "No último arrastão, a casa tinha câmera", lembra, referindo-se ao Carlota.

Na madrugada de terça-feira, o restaurante La Tambouille (leia abaixo), no Itaim-Bibi, foi invadido por assaltantes armados. O local tem câmeras e seguranças particulares.

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