Restaurante em Moema sofre arrastão

Clientes do japonês Zeni Sushi foram alvo de ladrões por volta da meia-noite; como só havia R$ 20 no caixa, gerente nem registrou queixa

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2012 | 02h08

Clientes e funcionários do restaurante japonês Zeni Sushi, em Moema, na zona sul de São Paulo, foram vítimas de um arrastão, pouco antes da 0h de ontem. Foi pelo menos o 24.º caso registrado neste ano apenas na capital. A polícia ainda não tem pistas que levem aos bandidos. Ninguém ficou ferido durante o assalto.

Segundo o gerente do restaurante, Jeovane Ribeiro, de 39 anos, os ladrões chegaram perto do horário do fechamento e mandaram quem estava em pé deitar no piso. Pelo menos 12 clientes jantavam no momento do arrastão. Além deles, mais seis funcionários estavam no local.

Ribeiro, que trabalhava no caixa no momento em que o bando invadiu o restaurante, ainda tentou avisar a polícia, enquanto o crime estava em andamento. "Assim que eles entraram, eu notei que era um assalto. Daí, subi correndo até a laje e usei o celular para chamar a polícia."

Os bandidos ficaram no local por aproximadamente cinco minutos e conseguiram fugir antes da chegada dos policiais. O gerente conta que testemunhas viram os ladrões deixando o restaurante em um Hyundai I30, preto. Ninguém prestou queixa.

Além de relógios, joias, celulares, cartões bancários e de crédito dos clientes, o bando levou R$ 20 que estavam no caixa do restaurante. Ribeiro contou que foi até o 27.º Distrito Policial (Campo Belo) para registrar o caso, mas, como havia outros flagrantes em andamento, optou por voltar em outro momento. Até a tarde de ontem, ainda não havia feito o boletim de ocorrência. "O ideal é que houvesse uma prevenção para evitar que esse tipo de coisa acontecesse", disse.

Mesmo sem o registro oficial do arrastão, investigadores foram até o local ontem pela manhã para obter informações sobre a quadrilha. Segundo o gerente, os homens que participaram da ação têm aproximadamente 30 anos - perfil diferente dos grupos que têm atuado na capital recentemente, formados por criminosos mais jovens.

Desilusão. O restaurante, que passa por uma reforma iniciada em junho, não conta com sistema de monitoramento por câmeras nem seguranças. Se depender do proprietário, Jean Albert Queiroz de Amorim, vai continuar assim. "Não adianta instalar circuito interno, porque, mesmo que o criminoso seja identificado, daqui a três meses ele estará na rua de novo. O problema é a legislação", disse. "Se colocar seguranças, acontece uma troca de tiros na frente do restaurante e há o risco de algum cliente sair ferido", completou.

Amorim afirmou que, no Brasil, os moradores acabam pagando duas vezes por segurança, educação e saúde (impostos e serviços privados).

O Zeni Sushi está na Rua Lavandisca há cinco anos e essa foi a primeira vez que passou por um arrastão.

Histórico. Desde o início do ano, pelo menos outros 23 restaurantes famosos já foram alvo de arrastões em bairros nobres da capital, como Pinheiros, Vila Madalena, Higienópolis, na zona oeste, e Jardins, na zona sul. Em junho, como resposta aos assaltos, a polícia prendeu uma quadrilha acusada de participar de vários arrastões.

O líder do bando era um adolescente de apenas 16 anos, que contava com apoio de um maior de idade, Diego de Godoy - que fornecia as armas e comprava os objetos roubados. O grupo tinha como base a Baixada do Glicério, na região central.

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