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Fabio Motta/AE
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Restaurante barra estudante com cão-guia no Rio

Segundo gerente, os clientes ficariam incomodados com o animal. Ela vai processar o estabelecimento

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2011 | 00h00

RIO

A estudante Camila Araújo Alves, de 21 anos, decidiu processar o restaurante Espelunca Chic, em Copacabana, zona sul do Rio, depois de ter sido impedida de entrar no estabelecimento com seu cão-guia. Camila tentou fazer valer a lei federal de 2005, que garante a circulação desses animais em locais públicos e privados. Até o PM que ela chamou ao ser barrada no estabelecimento disse desconhecer a legislação.

A estudante recebeu recentemente a cadela Pucca do projeto Cão-Guia Brasil, depois de dois anos de espera. Ela já foi impedida de entrar em transporte público e passou constrangimento em outros locais públicos.

O episódio no restaurante ocorreu na noite de sábado. Ela e amigas tentaram entrar no Espelunca Chic, mas o gerente disse que ela não precisaria do cão-guia porque estava acompanhada. Alegou ainda que a casa estava cheia e os clientes não gostariam da presença do cachorro.

"Eu mostrei para ele a cópia da lei e um homem que se apresentou como advogado do gerente disse que a lei não era clara e que não valia para um local de lazer, o que é um absurdo", afirmou. O pior ainda estava por vir. O PM que fazia a ronda na rua disse que também desconhecia a lei. Diante da insistência do grupo, chegou a ameaçar Camila e as amigas de prisão por desacato.

Além da ação, o advogado Francisco Celso Rodrigues vai fazer uma representação contra o restaurante na Secretaria Especial de Direitos Humanos. "Vou levar esse caso adiante para que isso não se repita com outras pessoas", afirmou Camila.

O proprietário da rede Espelunca Chic, Roberto Zaccaro, lamentou o ocorrido e pediu desculpas pelo comportamento do gerente. "Infelizmente, ele não me telefonou para buscar orientação. Na unidade da Gávea temos uma cliente que comparece com seu cão-guia e nunca teve nenhum problema."

Autonomia. Cega desde os 15 anos por causa de retinose pigmentar (doença genética que atinge a retina e o nervo óptico), a estudante está com Pucca há oito meses. "Ela mudou minha vida. Hoje tenho muito mais autonomia. E ela não ataca, não late, só faz as necessidades em horários programados. Em um local público, ela deita e dorme", contou. "Mas já penso duas vezes antes de sair com ela. Não dá para entrar em uma briga todo dia", diz.

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